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Carlos Alberto Di Franco

Família contra o crime

Pais da geração transgressora têm grande culpa. O delito não é só reflexo da falência da autoridade familiar. É, frequentemente, um grito de revolta e carência

Publicado em 26 de Janeiro de 2018 às 17:25

Públicado em 

26 jan 2018 às 17:25

Colunista

Jovens de classe média e média alta têm frequentado o noticiário policial. Crimes, vandalismo, consumo e tráfico de drogas deixaram de ser marca registrada das favelas e da periferia das grandes cidades. O novo mapa do crime transita nos bares badalados, vive nos condomínios fechados, estuda nos colégios da moda e não se priva de regulares viagens ao exterior. O fenômeno, aparentemente surpreendente, é o reflexo de uma cachoeira de equívocos e de uma montanha de omissões. O novo perfil da delinquência é o resultado acabado da crise da família, da educação permissiva e do bombardeio de setores do mundo do entretenimento que se empenham em apagar qualquer vestígio de valores.
Os pais da geração transgressora têm grande parte da culpa. Choram os desvios que cresceram no terreno fertilizado pela omissão. O delito não é apenas reflexo da falência da autoridade familiar. É, frequentemente, um grito de revolta e carência. A pobreza material castiga o corpo, mas a falta de amor corrói a alma. A grande doença dos nossos dias tem um nome menos técnico, mas mais cruel: a desumanização das relações familiares.
Não é difícil imaginar em que ambiente afetivo se desenvolvem os integrantes das gangues bem-nascidas. As análises dos especialistas em políticas públicas esgrimem inúmeros argumentos politicamente corretos. Fala-se de tudo. Menos da crise da família. Mas o nó está aí.
Certas teorias no campo da educação, cultivadas em escolas que fizeram uma opção preferencial pela permissividade, apresentam amargo resultado. O saldo é uma geração desorientada e vazia. A despersonalização da culpa e a certeza da impunidade geram superpredadores.
O inchaço do ego e o emagrecimento da solidariedade estão na origem de várias patologias. A forja do caráter, compatível com o clima de verdadeira liberdade, ganha contornos de solução válida. A pena é que tenhamos de pagar um preço alto para redescobrir o óbvio. A sociedade precisa de um choque de bom senso. O erro deve ser condenado e punido. A solidariedade deve ser recuperada. É preciso ensinar à moçada que o ser está acima do ter.
A onipresença de uma TV pouco responsável e a transformação da internet num descontrolado espaço para a manifestação de atividades criminosas (a pedofilia, o racismo e a oferta de drogas, frequentemente presentes na clandestinidade de alguns sites, desconhecem fronteiras, ironizam legislações e ameaçam o Estado de Direito democrático) estão na origem de inúmeros comportamentos patológicos.
É preciso ir às causas profundas da delinquência. Chegou para todos a hora de falar claro. É preciso pôr o dedo na chaga e identificar a relação que existe entre o medo de punir e os seus dramáticos efeitos antissociais.
*O autor é jornalista
 

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