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Economia

Exemplo da África do Sul para o turismo nacional

Como um país com altos índices de pobreza e criminalidade, infraestrutura precária e diversos conflitos recentes conseguiu atrair turistas e tornar o turismo uma atividade lucrativa?

Publicado em 11 de Maio de 2018 às 13:18

Públicado em 

11 mai 2018 às 13:18

Colunista

Cidade do Cabo, na África do Sul
Nerleo Caus de Souza*
Já pensou em viajar para a África do Sul? Esse destino, que há uma década era praticamente desconhecido, tem figurado entre as principais opções mundiais, inclusive entre os turistas do Brasil. Somente entre janeiro e setembro de 2017, 48 mil brasileiros viajaram para o país africano, um crescimento de 105% em relação ao ano anterior.
Os atrativos do país são inúmeros: uma natureza selvagem que pode ser vista de perto durante os safáris, metrópoles vibrantes e gastronomia internacional. Ainda é possível curtir um belo pôr do sol em um passeio de balão, saltar de bungee jumping de uma ponte, conhecer as vinícolas e degustar bons rótulos ou apreciar o encontro dos oceanos Atlântico e Índico.
Mas, como um país com altos índices de pobreza e criminalidade, infraestrutura precária e diversos conflitos recentes conseguiu atrair turistas e tornar o turismo uma atividade lucrativa? Atualmente, o turismo é responsável por aproximadamente 7% do Produto Interno Bruto (PIB) da África do Sul, além de empregar cerca de 3% da população sul-africana.
Pode parecer uma resposta simples, mas não passou de estratégia e investimento. O país aproveitou toda a visibilidade de sediar a Copa do Mundo em 2010 para apresentar um cenário atrativo para além de seus problemas estruturais. Somaram a isso o investimento em infraestrutura turística e a diversificação dos roteiros, com opções para todos os públicos. Por fim, mostrou outros diferenciais como preços atrativos em relação à Europa e seu povo acolhedor e hospitaleiro.
Por aqui, já tivemos Copa do Mundo e Olimpíadas, mas ainda não conseguimos ajustar o Custo Brasil. Somos o país com a maior biodiversidade do mundo, um litoral paradisíaco, centros urbanos agitados e uma culinária diversificada, mas precisamos fazer o dever de casa. Não podemos continuar pagando mais barato em passagens para o exterior do que para conhecer Belém, por exemplo, porque as empresas aéreas pagam ICMS de querosene para voos internos e não são cobradas em voos internacionais, num flagrante “colonialismo tributário”.
É hora de ter estratégia e investimento. A cadeia turística nacional precisa se engajar na busca por melhorias e governo deve apresentar medidas governamentais que valorizem a atividade. Acreditar no turismo é ter a certeza de retorno exponencial, com aumento de receita e geração de empregos, como vemos hoje na África do Sul.
*O autor é da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis Espírito Santo (ABIH-ES)

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