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Diversidade

Estreitar o diálogo com o que nos é estranho expande a visão de mundo

Desprezar a pluralidade das formas de existência torna mais longa e mais difícil a estrada para a recuperação da humanidade que ficou pelo caminho

Publicado em 05 de Janeiro de 2020 às 04:00

Públicado em 

05 jan 2020 às 04:00
Ana Laura Nahas

Colunista

Ana Laura Nahas Ana Laura Nahas
Como sustentar que somos humanos diante da escalada da intolerância, do extremismo e da desigualdade que têm marcado o nosso tempo? Crédito: Pixabay

Leio a história da jovem de 18 anos, mãe de três filhos, presa por negligência porque, enquanto trabalhava como faxineira, o marido espancou uma das crianças até a morte. Uma história real e bem mais comum do que a gente imagina, que escancara a combinação perversa entre machismo, racismo e ineficiência das políticas públicas para problemas privados.

Mas por onde começar para acertar o passo? Como compreender que as consequências da falta de estrutura de uma família dessas é uma questão muito maior do que a casa deles? Como ultrapassar a visão de que aquela jovem poderia ter evitado chegar aos 18 anos com três filhos? Como sair do ciclo vicioso que nos leva a ver como vilã uma mulher nessas condições?

Poucos dias atrás, falávamos aqui sobre a ideia de que apenas o respeito à diversidade e uma profunda conexão com a natureza podem trazer um novo significado à vida moderna. A sugestão está no maravilhoso livrinho "Ideias para Adiar o Fim do Mundo", de Ailton Krenak, líder indígena para quem a saída da humanidade passa pelo reordenamento dos espaços, pelo respeito às diferenças, por novos modos de relacionamento com a terra e por outro tipo de compreensão sobre as coisas que realmente importam.

Desprezar a pluralidade das formas de existência, ao contrário, torna mais longa e mais difícil a estrada para a recuperação da humanidade que ficou pelo caminho. Afinal, como sustentar que somos humanos diante da escalada da intolerância, do extremismo e da desigualdade que têm marcado o nosso tempo?

Fazer as coisas de outro modo para obter resultados diferentes é o que nos ensina a velha máxima comumente atribuída a Albert Einstein.

Ouvir outras vozes, buscar soluções em lugares tradicionalmente colocados à margem, entender outras práticas e outros saberes, estreitar o diálogo com o que nos é estranho e distante: quem sabe desta maneira seja possível reescrever estruturas econômicas, rever relações sociais, restabelecer a ética no fazer político, acreditar novamente na ação coletiva.

Taí um desafio interessante para o novo ano.

Ana Laura Nahas

Ana Laura Nahas Ana Laura Nahas

É jornalista e escritora, com passagens pelos jornais A Gazeta e Folha de São Paulo e pelas revistas Bravo! e Vida Simples. Autora dos livros Todo Sentimento e Quase um Segundo, escreve aos domingos sobre assuntos ligados à diversidade, comunicação e cultura

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