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Marcos Ramos

Estratégia no Rio é simples: silenciar os problemas até as eleições

Expectativa é que a governabilidade seja readquirida porque o Exército é mais macho, tem armamento pesado, bigode e fala grosso

Publicado em 20 de Fevereiro de 2018 às 21:36

Públicado em 

20 fev 2018 às 21:36

Colunista

A diferença estratégica básica entre progressistas e conservadores está nos seus fundamentos: conservadores conseguem facilmente capitalizar com a insegurança, com a aversão política e com um afeto que é fulcral no cenário político – o medo.
A pesquisa do Ibope encomendada pelo governo apontou que 83% dos moradores do Rio aprovam a medida de intervenção federal. O argumento de popularidade é frágil, mas é um importante indicativo: o medo impulsiona a crença na medida extrema. O cidadão apoia ou rejeita a intervenção não por um posicionamento ideológico, ele tem medo e opta por narrativas que prometem estabelecer a ordem.
Foi assim que Marine Le Pen, da extrema direita francesa, herdou os currais eleitorais comunistas do Norte da França; e o partido nazista herdou os votos dos operários que votaram no Partido Comunista Alemão. Em todos os casos, o que está em jogo é a ânsia por uma transformação radical. É ela que explica os aparentes paradoxos. A direita promete ordem e progresso, os 83% acreditam.
A intervenção enquanto esforço de pacificação é contraproducente. E o maior atestado de incompetência das Forças Armadas para atividade policial é o decreto que serve de salvo conduto para suas possíveis infrações. Segundo o decreto, a regência e o ajuizamento das ações interventivas estão a cargo da Justiça Militar (e não do Ministério Público), partindo do pressuposto que o treinamento da instituição é belicoso, não é difícil concluir que estamos falando em legalização da brutalidade do Estado. Mas a intervenção fortalece um discurso eleitoral que contempla os anseios conservadores e organiza as narrativas de “lei e ordem” em torno dos atores que melhor alimentam o imaginário disciplinador – as Forças Armadas. Isso é o fundamental.
A expectativa é que a governabilidade seja readquirida porque o Exército é mais macho, tem armamento pesado, bigode e fala grosso. Mas a redução dos sintomas é um alívio imediato, não é um enfrentamento do problema. Se o governo federal quer acabar com o crime organizado, repensar as políticas de drogas e reformar a estrutura policial são medidas incontornáveis. Tudo mais é pura teatralização para manobra política.
Três hipóteses trágicas: 1) é do seio da narrativa da “lei e ordem” que emerge o candidato presidenciável sebastianista com patente de general; 2) vem por aí (e isso serve para o governo do Rio e para o governo federal) um herdeiro do inflamado e incensado discurso da moralização redentora (lugar que tem sido ocupado por Bolsonaro); 3) mais do que uma tentativa de reverter o quadro de rejeição, a jogada de Temer é levantar a bandeira do restabelecimento da ordem com vistas à reeleição. A estratégia é simples: silenciar os problemas até as eleições e criar a impressão de que a intervenção foi eficaz.

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