A economia capixaba cresceu 1,8% no segundo trimestre de 2018, em comparação com o trimestre anterior. Ótimo. É dose muito maior do que a nacional, de apenas 0,2%. Mas, ainda assim, o Espírito Santo dificilmente conseguirá recuperar até 2019 o nível de PIB que tinha em 2014, época em que o país afundou na mais grave recessão da sua história.
O PIB capixaba pré-crise, ou seja, em 2014, atingiu R$ 128,7 bilhões. Depois disso, acumulou dois anos de retração e voltou a crescer em 2017, quando somou R$ 120,8 bilhões, de acordo com o IBGE/Instituto Jones dos Santos Neves.
A expansão de 1,8% no segundo trimestre de 2018 é a terceira alta consecutiva e a maior dos últimos cinco trimestres no território capixaba. A dúvida é se esse ritmo será mantido. Está muito acima do crescimento médio de 0,45% por trimestre, nos últimos 12 meses.
No acumulado em 2018, a economia do Estado avançou 1,1%, o mesmo percentual registrado no PIB nacional, e o Brasil não recuperará o nível pré-crise antes de 2021.
A economia do Estado é fortemente influenciada por poucas atividades no setor industrial – principalmente petróleo, minério, aço e celulose. São commodities, produtos de demanda internacional contínua, mas sujeitos a grandes oscilações de preços.
100 MIL TONELADAS

É o volume total de cargas movimentadas diariamente pelo transporte rodoviário no Espírito Santo, conforme dados do Transcares. A atividade, um dos termômetros da economia, conta com aproximadamente 2,4 mil empresas em atuação no Estado, e mostra crescimento moderado, refletindo cenário de incertezas.
AVANÇO GERAL
Expectativa de mercado aponta que em todas as unidades da federação o PIB crescerá em 2018 e em 2019 – fato inédito desde 2011. Mas, vale lembrar: esse cenário pressupõe a eleição de um presidente comprometido com reformas.
RAPIDEZ
E quanto mais demorar a principal reforma, a da Previdência, mais retardará a implantação de projetos em todos os locais do país.
FORA
Apesar da projeção de expansão de todos os Estados, apenas oito deverão recuperar o nível pré-crise até o fim do próximo ano, segundo cálculo de economistas da Tendências Consultoria Integrada. Infelizmente, o Espírito Santo não consta nessa lista.
COMÉRCIO
Apesar do desemprego, que reprime o consumo, o varejo ampliado (que inclui veículos, motos, peças e materiais de construção) se destaca na dinâmica econômica capixaba. O volume de vendas já subiu 14,4% em 2018. Nos últimos 12 meses, a expansão beira 15%.
NÃO É MILAGRE
Juro mais baixo (embora nem tanto) ajuda as lojas a vender.
DESEMPENHO
A indústria é o setor que mais preocupa na economia estadual. A produção voltou a crescer em julho, 5,8%, mas não recuperou perdas acumuladas.
NO VERMELHO
A retração (média entre todos os segmentos) da produção industrial capixaba neste ano é de 3,7%, o segundo pior resultado do país, diz o IBGE.
RITMO
O total de horas trabalhadas nas indústrias locais aumentou 3,7% de junho para julho, mas recuou 6,2% em sete meses. Quase um ponto percentual por mês.
DESPERDÍCIO
As fábricas amargam 20% de ociosidade.
INVESTIMENTO
Incertezas sobre cenários pesam nos passos da indústria capixaba. Em maio, apenas 68% declararam investimentos (planejados ou em execução), segundo pesquisa do Ideies. O percentual tende a subir ou a cair, dependendo das urnas de outubro.
SEM DÚVIDA
Queda no investimento prejudica a inovação, que é fundamental para a presença de produtos capixabas no exterior.