Respeitável público, o picadeiro em que se transformou o país está armado. No espetáculo Collor, os manifestantes que o expulsaram da presidência não abriram mão das caras pintadas de palhaço. Aparece mais uma chance na presidência, Bolsonaro. Representa o próprio Bolsonaro aclamado pelo bravo povo brasileiro. Falo de pessoas, porque os partidos não significam nada ou alguém, como foi demonstrado neste grotesco cotidiano político que terminou. E agora?
Não se poderá dispor de palavras ao vento vindas de todos os lados e núcleos de falcatruas arrotando sílabas sem formar frases e muito menos ideias. Capacidade de gestão, quem sabe, aparece. Aqueles que foram nossos representantes negaram à nação o direito de igualdade e sobrevivência. Com o povo alijado de qualquer participação nos destinos do país, essa interminável novela arrasta-se anos a fio em um jogo de baralho, com muitas cartas na manga, onde o que deveria ser lei transforma-se em truques. Parece combinado. Neste insólito xadrez, prende-se um, solta-se outro. Para justificar esta viração, o velho jogo de palavras. Vejamos então.
Ainda não há a menor preocupação com a voz das ruas, porque há muito tempo não se fala com autorização popular. Parece estarem todos a favor e contra qualquer coisa ao mesmo tempo.
Onde se meteram os estudantes, a juventude que já salvou o Brasil muitas vezes, que estudavam política e denunciavam, criavam uma direção e davam um sentido às ideias? Cadê a União Nacional dos Estudantes? Comediantes como Zé Dirceu, Lindbergh Farias, e outros, desfiguraram a luta mais importante, pois queiram ou não, os estudantes vão um dia, de um jeito ou de outro, dirigir o país. Atualmente, a classe sofre uma privação de sentidos.
A UNE era vista pelas ditaduras como o Quarto Poder. Isso instituiu a mais importante resistência aos golpes contra a democracia. Onde estão os teatros de Arena que serviram, e muito, para ilustrar a consciência popular?
A senhora aí, estamos à beira do caos, considere. O presidente eleito é uma gigantesca incógnita. Não há saída a não ser que apareçam cabeças pensantes dos diferentes setores. Uma imensa força, a maioria lúcida, discutindo o Brasil político em vez de questões parciais e autorreferidas, talvez seja o caminho da esperança. É bom lembrar que não há caminho, se faz o caminho ao caminhar.
A consciência, muitas vezes, surge quando menos se espera.
Aí veremos se um filho teu, brasileiro, foge ou não foge à luta.