Em Bebedouro, distrito de Linhares, a rotina do adolescente Allan, de 15 anos, é movida por um sonho: se tornar jogador de futebol profissional. Nascido com uma condição congênita rara e ainda sem diagnóstico genético definido, o garoto não possui os braços, mas encontrou no esporte uma forma de desafiar limites e chamar a atenção dentro de campo.
Atuando principalmente no meio-campo e no ataque, Allan impressiona pela habilidade, equilíbrio e naturalidade com que encara o futebol. Entre dribles, gols e divididas, ele se destaca em competições da região e alimenta o desejo de ser reconhecido pelo talento, e não pela deficiência.
"Apresento bastante coisa na minha vida, aonde eu sou mais feliz é jogando bola e aonde eu tento fazer que minha dificuldade vira facilidade. Desde o dia que eu comecei a jogar eu sempre levei mais a sério. Tem gente que joga só por jogar, eu jogo por paixão e para tentar alguma coisa", disse o jovem.
Trajetória no esporte
A trajetória do atleta também é marcada pela dedicação da família. A avó, Vera, deixou o Rio de Janeiro para acompanhar o neto em Bebedouro após o convite feito pelo Bebedouro Sport Clube, equipe que conheceu Allan em um campeonato no Rio e decidiu levá-lo para disputar competições no Espírito Santo. Desde então, a família passou a viver na cidade para apoiar o sonho do adolescente.
"Larguei tudo lá e vim para realizar o sonho dele. Ele foi convidado pelo BSC, pela Tia Ana, para vim disputar o campeonato aqui. E ele Joga super bem, é muito esforçado. Ele dá mesmo o melhor dele dentro de campo e eu fico feliz dele estar conseguindo realizar o sonho dele", disse a vó.
Coordenadora da escolinha onde o garoto treina, a Tia Ana lembra que o primeiro contato com ele causou surpresa entre atletas e comissão técnica, mas afirmou que a personalidade do adolescente rapidamente transformou a convivência.
"Todo mundo que vê ele fica encantado. Eu jamais imaginaria que ele tinha isso tudo de futebol. E aqui a gente já ensina os meninos a acolher, a abraçar. E todo mundo quer o Allan no time. Se você vai dividir no coletivo, eles querem ele", relatou a técnica.
Sonhos e objetivos
Apesar das dificuldades enfrentadas desde a infância, Allan mantém viva a esperança de construir uma carreira no futebol. O adolescente afirma que sonha em entrar para a base de um clube profissional não apenas para realizar um objetivo pessoal, mas também para retribuir todo o esforço da avó, principal responsável por sua criação e apoio diário.
"Meu maior sonho era entrar em alguma base e poder ajudar minha vó, porque ela me ajuda bastante e poder fazer que ela possa descansar mais, porque ela trabalhe bastante. E a lição que eu quero dar é pra nunca desistir do seu sonho, não se diminuir para nada e botar Deus na frente, porque assim tudo vai dar certo", concluiu Allan.