Mais de três meses foram necessários para que Rafael Navarro conseguisse, enfim, ter o respeito da torcida do Palmeiras. O camisa 29 já anota seis gols com a camisa alviverde. Todos marcados nas duas primeiras partidas que o clube fez pela Copa Libertadores, incluindo aí o magnifico desempenho ante o boliviano Independiente Petrolero, em que marcou quatro tentos e demoliu recordes individuais da equipe na competição continental.Era o que faltava para Navarro conquistar corações palmeirenses e manter uma sina poderosa: é comum jogadores vindos do Rio de Janeiro, seja cidade ou Estado, virarem ídolos no Palestra.
Contratado junto ao Botafogo, onde fez toda a sua base, o camisa 29 precisa de tempo, acima de tudo. Afinal, a adaptação de um carioca em terras bandeirantes não é sempre fácil, como lembram alguns dos ídolos do Verdão vindos da Cidade Maravilhosa.
- Morávamos em três, quatro, e aquilo me ajudou bastante, porque era tudo meio que em um universo só, o universo Palmeiras, tinha contato quase que diário com as coisas do clube, com os torcedores, me fez entender a grandeza daquilo que eu estava defendendo. E criou uma adaptação quase que instantânea - relembrou o eterno camisa 10.
Coube a Ademir ser o anfitrião de outra lenda carioca que chegaria ao Palestra algum tempo depois: o centroavante César, maior artilheiro vivo do Verdão.
Vindo do Flamengo em uma negociação para os cariocas contarem com Ademar Pantera, César era representante da linhagem Lemos, que marcou época no futebol com os irmãos Luisinho, este ídolo do América, e Caio Cambalhota, destaque no próprio Rubro-Negro.
- Eu não queria vir. Queria jogar no Flamengo, no Rio de Janeiro, fazer gols no Maracanã. Mas meu pai me obrigou, disse para vir a São Paulo e mostrar o meu futebol. E foi o que eu fiz. E foi amor à primeira vista - disse César.
A chegada de César é lembrada até hoje por Ademir. Novamente o friozinho paulistano pregou uma peça. O centroavante chegou no inverno, de camisa aberta, sem botões e teve que pegar um agasalho emprestado para suportar os primeiros dias.
- Não demorou para os gols saírem. Por isso precisa se ter paciência com o menino (Navarro). Tem tudo para escrever uma história bonita - completou César.
Zinho era ídolo flamenguista, ganhara dois Brasileirões pelo time da Gávea, quando recebeu proposta do Palmeiras, turbinado pelo dinheiro da Parmalat, e decidiu respirar os ares de Sampa em 1992. Acabou construindo uma história ainda mais bonita pelo Verdão, onde está na galeria dos ídolos imortais.
- Eu acreditava em um grande projeto, de uma grande empresa que chegou e estava disposta a gastar, a montar uma estrutura grande. Mas a coisa foi muito além. Eu simplesmente me senti em casa, me adaptei rápido, me aproximei do torcedor palmeirense de uma maneira que nunca imaginei. Talvez pelo meu estilo de jogo como meia, que cumpriu essa coisa da Academia, de qualidade no passe, fez com que eu me aproximasse de uma maneira incrível do palmeirense.
O eterno camisa 11 alviverde pondera, contudo, que para a adaptação de Navarro estar completa, serão necessários títulos.
Certamente o primeiro grande herói carioca a ser ídolo no Verdão. Depois de passagens por Madureira, Vasco e Flamengo, 'Jajá de Barra Mansa', uma alusão à sua cidade-natal, foi a maior contratação do Palmeiras nos anos 1940 e 1950. Chamado de mercenário na Gávea, onde camisas suas foram queimadas, ficou sem espaço no futebol do Rio após ser acusado de ter recebido suborno de dirigentes vascaínos em uma derrota por 5 a 2 do Rubro-Negro.