Puxando pela memória aqui, poucas são as rodadas deste Brasileirão das quais me recordo onde não houve lances polêmicos envolvendo a arbitragem, mais precisamente a utilização e interferência do VAR, ou árbitro de vídeo. Chame como queira. É impressionante como a tecnologia que veio para facilitar o trabalho do juiz de campo está servindo de muleta para os assopradores de apito e tem assumido papel de protagonista.
Quando implementado no Brasil e no mundo, a definição básica da ferramente era "mínima interferência, máxima eficácia". Mas o que vemos por aqui é completamente diferente disto, especialmente nesta 33ª. Poderia ser na anterior, ou em um exercício de fácil advinhação, na próxima.
Sabe-se lá por qual motivo, os árbitros que estão na cabine estão interferindo diretamente em lances interpretativos e mudando equivocadamente a marcação dos juízes de campo. No jogo entre Atlético-MG x Fortaleza, o árbitro Leandro Vuaden, viu que a bola toca no cotovelo do defensor do time cearense e gesticulou que não houve intenção. Um lance fácil e que nem deveria ter dúvidas. Mas veio o VAR e... Vuaden mudou de ideia. Como assim? Não existe mais convicção de quem é responsável por conduzir a arbitragem do jogo? Tenho a impressão que os juízes se esqueceram que a decisão final é deles.
Já em Internacional x Bragantino, bola que bate na barriga do jogador e depois resvala no braço inicialmente não foi pênalti e assim o juiz interpretou o lance. Porém, novamente o juiz do VAR aciona o de campo e na conversa a decisão é alterada. Pênalti que definiu a vitória colorada.
FALTA CRITÉRIO
Estes dois lances, e também a não expulsão de Gregore, do Bahia, contra o Vasco, onde o volante baiano deixou o pé e atingiu o meia Benítez, evidenciam a total ausência de critério na arbitragem em geral, inclusive na mesma partida. Neste jogo, acertadamente Wilton Pereira anulou o gol do vasco após Leandro Castan acertar em cheio o rosto do goleiro do Bahia no lance que antecedeu a jogada. Isto só foi possível porque o VAR, se fazendo valer da essência para o qual foi desenvolvido, o chamou à beira de campo.
Mas como explicar que um lance muito semelhante, mas com força um pouco menor, nem sequer o juiz é chamado para olhar na cabine? Não faz sentido algum. Caso entendesse que não era passível de expulsão, seria decisão do juiz de campo, mas não chamá-lo para verificar a jogada é erro grave. As interferências obrigatoriamente têm que ser precisas, sem margens para interpretações dúbias.
Esperei o jogo entre Sport e Flamengo para escrever sobre este tema, pois sendo o árbitro Rafael Traci no apito, as chances de lances polêmicos eram grandes. Dito e feito. Em uma tentativa de corte pelo alto, o defensor do Leão errou a cabeçada e a bola bateu claramente na mão. Pênalti? Não hoje, mas ontem poderia ser. Conseguem identificar a ausência de critério?
Que fique claro aqui: o objetivo não é demonizar a ferramenta. O VAR veio para ficar e já faz parte do futebol. O que se precisa fazer com relativa urgência é criar uma situação homogênea em relação à utilização, interpretação e regras para que o mecanismo seja eficaz como deve ser. O que não pode é em um jogo bola na mão ser pênalti e no outro mão na bola não ser.
O pior é que a rodada ainda não acabou, faltam duas partidas a serem disputadas. Grandes chances de "máxima interferência e mínima eficácia". Espero estar errado.