Para a maioria dos 20 mil corredores que vão disputar a 35ª Dez Milhas Garoto, no dia 27 de setembro, a missão será percorrer os 16,1 quilômetros entre Vitória e Vila Velha sem parar. Para Bruno Schmidt, porém, existe uma parada programada no meio do caminho. E ela nada tem a ver com o desempenho na prova.
O campeão olímpico de vôlei de praia pretende combinar com a esposa um ponto do percurso onde possa encontrar os filhos gêmeos, Luiz Felipe e Luiz Miguel, de pouco mais de um ano. A ideia é simples: parar por alguns segundos, dar um abraço nos meninos e voltar a correr rumo à linha de chegada.
“Vou combinar com a minha esposa de, em determinado ponto, saber que eles vão estar ali. Vou passar correndo e parar para dar um abracinho rápido. Acho que eles vão curtir, e eu mais ainda”, conta Bruno.
Morador de Vila Velha, o ex-atleta vai participar da Dez Milhas Garoto pela segunda vez. A estreia aconteceu em 2023, quando completou a prova em 1h10min. Na ocasião, ainda com o condicionamento físico dos tempos de atleta, conseguiu um resultado que o surpreendeu.
Agora, a realidade é diferente. Advogado e pai de dois filhos pequenos, Bruno divide a rotina entre o trabalho, a família e os exercícios que consegue encaixar na semana. Corrida, academia e pedal continuam presentes, mas com uma mudança importante: o esporte deixou de ser profissão e passou a ser uma forma de cuidar da saúde.
“Sou um apaixonado por esportes. Antigamente era meu trabalho, com muita cobrança, busca por resultados, uma coisa não tão prazerosa como as pessoas acham que é. Hoje em dia é um prazer. A flexibilidade da corrida encaixa no pouco tempo que tenho, pois o esporte agora entra como busca por manter a longevidade, saúde, qualidade de sono”, explica.
Durante a carreira, Bruno evitava correr em pisos duros por causa do impacto provocado pelos saltos constantes na areia. Depois de deixar as competições, decidiu finalmente participar da corrida que acompanhava de longe desde criança.
“Sempre tive um namoro bem grande com a Dez Milhas Garoto. Cresci vendo o pessoal correr, mas enquanto competia no vôlei de praia, só ficava olhando. Na época de atleta, eu evitava ao máximo correr em piso duro em função do desgaste com os saltos na areia. Assim que parei de jogar, marquei de participar”, lembra.
O abraço planejado para setembro pode ser apenas o primeiro capítulo da relação dos filhos de Bruno com a corrida capixaba. Ao conhecer a programação da Corrida Garotada, voltada para participantes de 6 a 17 anos, o campeão olímpico já imagina os gêmeos participando do evento no futuro.
“Futuramente, quero muito que eles tenham esse contato com o esporte. Como bons capixabas, meus filhos vão participar de todos os eventos que são destaque aqui do Espírito Santo. E um deles, certamente, é a Garotada”, afirma.
O vínculo de Bruno com o esporte começou muito antes da paternidade. Em 2016, no Rio de Janeiro, ele conquistou a medalha de ouro olímpica ao lado de Alison no vôlei de praia. Dez anos depois, a competição tem outro significado.
A meta, desta vez, não é medalha, recorde ou tempo. É aproveitar o caminho. “Prepare-se bem para aproveitar bastante o dia. A prova é sempre dividida entre as pessoas que vão competir, fazer tempo, e as pessoas que participam para confraternizar e sentir a endorfina. Eu faço parte desse segundo grupo”, diz.
Bruno também aconselha os participantes a respeitarem os próprios limites e não transformarem a corrida em uma disputa contra o relógio sem preparação. “O principal é não extrapolar nada ou querer bater recordes se você não está preparado para isso. É curtir bastante como eu fiz pela primeira vez. E eu curti bastante e, no fim, fiz um tempo que me surpreendeu. E vou fazer isso de novo, aproveitar cada metro, cada milha.”
Em 2026, a Dez Milhas Garoto terá 20 mil corredores e chega à 35ª edição com recorde de inscrições. As vagas foram esgotadas em 14 horas. A prova também terá, pela primeira vez, o selo da World Athletics, além da Corrida Garotada e da Cachorrida.