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Thiago Braz

'Após a medalha de ouro, minha vida virou um rebuliço'

Medalha de ouro nos Jogos do Rio, Braz busca retomar os grandes resultados agora treinando no Brasil

Publicado em 16 de Fevereiro de 2019 às 10:57

Publicado em 

16 fev 2019 às 10:57
O brasileiro Thiago Braz, de 22 anos, conquistou o ouro olímpico ao saltar 6,03m, batendo o recorde olímpico. O recorde mundial, de 6,16m, pertence ao francês Renaud Lavillenie Crédito: Divulgação
Depois da noite mágica em que ganhou o ouro olímpico no salto com vara, nos Jogos do Rio, Thiago Braz não brilhou mais. Foram dois anos de resultados medianos. “Após ganhar a medalha, minha vida virou um rebuliço. Não consegui me estabilizar, não gostava dos meus saltos, foram dois anos perdidos e ruins”, confessa ao Estado. Depois de treinar na Itália, ele está de volta ao Brasil. É um recomeço, faltando dois anos para defender o seu título olímpico em Tóquio.
Após quatro anos na Itália, por que você decidiu voltar?
Vários fatores contribuíram. A distância e a saudade da família foram dois deles. Eu precisava estar mais presente principalmente na vida da minha avó, que não estava bem de saúde à época. Ela passou por um cirurgia do coração bem complicada. Morar na Itália foi ciclo vitorioso, mas, como qualquer outro ciclo, tem um fim. Era a hora de mudar.
Qual é o balanço do período?
Foram quatro anos morando e treinando em Fórmia, na Itália. Era ótimo, lá eu tinha tudo e acredito que essa experiência foi engrandecedora. Treinar com o Vitaly (Petrov, que treinou a russa Elena Isinbayeva) era um sonho que consegui realizar. Tivemos muitas conquistas juntos, entre elas, a medalha de ouro e o recorde olímpico. Mesmo com os altos e baixos, foi um período muito positivo.
O que significa voltar a treinar com Elson Miranda?
Por mais que eu já tenha treinado com o Elson no passado, não sinto que estou revivendo uma situação antiga. É um novo momento, com novos objetivos. Por ser treinado e orientado por nomes como Elson e Petrov, que são incríveis no que fazem, eu me sinto mais motivado para chegar aonde pretendo. Estou muito satisfeito por retomar essa parceria.
Como foram esses dois anos após a conquista do ouro olímpico nos Jogos do Rio?
Ainda estou avaliando o que aconteceu nesses dois anos. Após ganhar a medalha, minha vida acabou virando um rebuliço e fiquei perdido por quase um ano. Não consegui me estabilizar, não gostava dos meus saltos, foram dois anos perdidos e ruins. Depois de 2016, achei que os resultados fossem ser cada vez melhores, mas não foi o que aconteceu, e foi muito frustrante.
O quanto as lesões te prejudicaram nos últimos dois anos?
Eu não conseguia manter o condicionamento físico. Às vezes sentia a panturrilha ou as costas e acabava entrando nas competições fora da forma ideal, perdi muito ritmo. Mudamos a programação, mas não deu certo e a temporada foi ruim. Fiquei mal, decepcionado.
Que lições ficaram?
Apesar das decepções e frustrações, foi um período de crescimento e autoconhecimento. Agora, vou trabalhar muito para estabilizar a parte técnica, pra não ficar oscilando. E estar perto da minha família e das pessoas que me querem bem. Isso me incentiva ainda mais.
Como você está se sentindo para o Pan de Lima?
Trabalho muito para me sentir cada vez mais confiante. Tenho o objetivo de aumentar as passadas para ganhar velocidade, concentrar energia e dar mais potência na vara. E o Elson está fazendo adaptações. Exercícios novos, mas com o mesmo objetivo.
Você já pensa em Tóquio?
Claro! Estamos no ano pré-olímpico e a temporada já começou. Ela será intensa. Temos o Mundial de Atletismo em Doha, os Jogos Pan-Americanos em Lima, os Jogos Militares na China... Competições importantes que servirão como um termômetro para ver se estamos no caminho certo.
Como vê a divulgação pela Confederação dos contratos da Caixa com os atletas? Seu contrato é superior...
Os meus pensamentos estão focados nos meus treinos e para as próximas competições. É nisso que penso diariamente.
Como você avalia a estrutura do atletismo hoje no Brasil?
O esporte precisa ser valorizado. Precisamos ter mais lugares para treinos, competições e patrocínios para mantermos os poucos centros de treinamento que existem hoje. Um país com 200 milhões de habitantes deveria ser uma grande potência, e vitórias como a minha tinham de ser mais frequentes.
A crise está afastando os investimentos públicos e privados...
Não me sinto apto para falar sobre a crise financeira do País, mas torço para que a economia melhore, para que as pessoas se reposicionem no mercado de trabalho e para que as empresas voltem a investir com força no esporte brasileiro. Isso é muito importante para os atletas e para o futuro da categoria.

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