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Angelo Passos

Espírito Santo tem tradição em fusão de empresas

Compra, venda e fusão de empresas são movimentos ligados à história da economia capixaba. O Estado é 11º lugar no ranking nacional dessas operações

Publicado em 16 de Março de 2018 às 16:58

Públicado em 

16 mar 2018 às 16:58

Colunista

O Espírito Santo tem tradição na união de grandes empresas. É junção de forças que contribui para a vitalidade da economia local e ajuda o Brasil em setores estratégicos do comércio mundial.
A fusão entre a Suzano e Fibria, é mais um avanço expressivo. A operação de uma unidade da companhia líder mundial em celulose é fator de dinamismo para o sistema produtivo local. Inclusive, no momento está sendo anunciado investimento de R$ 85 milhões no Terminal de Barra do Riacho, tido como o mais eficiente do mundo no transporte de produtos florestais.
Para o Estado, as transferências mais marcantes de empresas começaram no longínquo 1997, sob o governo FHC. Em maio daquele ano, houve a privatização da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), responsável pela inserção da nossa economia no circuito internacional de pelotas de minério de ferro. Foi vendida por R$ 3,3 bilhões ao Consórcio Brasil, liderado pelo grupo Vicunha, que derrotou o conglomerado Valecon, liderado pelo empresário Antônio Ermírio de Moraes.
Cinco anos depois, em 2002, a Nestlé comprava a Garoto, avaliada em R$ 1 bilhão. Naquele tempo, o negócio podia acontecer sem a anuência do Cade, embora posteriormente o governo tenha feito exigências. Dentre elas, a de que alguns chocolates icônicos no mercado, como Serenata de Amor e Chokito, mudassem de fabricante.
Já em 2004, a Vale do Rio Doce anunciava a venda de sua participação na CST (Companhia Siderúrgica de Tubarão) para a Arcelor, maior produtora de aço do mundo, por US$ 578,5 milhões. Após a fusão com a Mittal Steel, passou a se chamar ArcelorMittal. Aqui, ArcelorMittal Tubarão.
Mais recentemente, em 2009, realizava-se a fusão da VCP (Votorantim Celulose e Papel) com a Aracruz, resultando a criação da Fibria. Houve entrada de dinheiro novo, fortalecendo a companhia que atua no solo capixaba: R$ 4,25 bilhões, com ajuda do BNDES.
O ano de 2017 foi marcado por recorde de compras e incorporações empresas no Brasil: ao todo 830, número 12% superior ao de 2016, segundo a consultoria KPMG, que acompanha o índice desde 1994. Já o relatório da Thomson Reuters informa que o volume financeiro envolvido nessas transações somou US$ 66,5 bilhões em 2017, alta de 22,3% comparado ao do ano anterior.
Nesse contexto, o Espírito Santo aparece em 11º lugar no ranking nacional, com 12 operações, o que é significativo para a dimensão da economia local. Fusões e aquisições são movimentos estratégicos visando a sinergia competitiva. Criam valor para acionistas, reconfiguram mercados e concentram capitais.
*O autor é jornalista
 

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