O gerenciamento de resíduos é uma etapa importante da operação de empresas de diferentes portes e setores por identificar o que é gerado, definir formas adequadas de separação, acompanhar a destinação e buscar oportunidades de valorização. Assim, quando planejada de acordo com as características de cada negócio, a gestão pode contribuir para a redução de custos operacionais, obtenção de resultados mensuráveis e também ganho ambiental.
E a necessidade de aprimorar esse processo está relacionada ao volume crescente de resíduos produzidos no país: de acordo com o relatório Global Waste Management Outlook 2024, a expectativa é que o Brasil gere 120 milhões de toneladas de resíduos por ano até 2050. Vale destacar que o descarte incorreto desse material é capaz de provocar impactos sobre o solo, os recursos hídricos, a qualidade do ar e a saúde da população, o que torna a valorização de resíduos algo essencial.
Dessa forma, uma gestão eficiente começa pelo diagnóstico dos resíduos gerados em cada operação. A partir desse levantamento, é possível identificar os tipos e volumes de materiais descartados, estruturar procedimentos de separação, orientar as equipes e definir a destinação mais adequada para cada categoria.
O acompanhamento dos resultados também faz parte desse processo, já que conhecer o caminho percorrido pelos resíduos até a destinação final permite avaliar a eficiência das medidas adotadas e identificar oportunidades de melhoria.
Para Gustavo Ribeiro, diretor Operacional e Institucional da Marca Ambiental, o trabalho de destinação adequada tem reflexos diretos na sociedade e no meio ambiente.
“Para a sociedade, significa a segurança de que o que descartamos é tratado com responsabilidade e dentro das normas ambientais. Para o meio ambiente, significa que o resíduo deixa de ser um problema e passa a ser recurso: cada material que volta como produto é matéria-prima a menos retirada da natureza”, afirma.
Além disso, não existe uma única forma de gerenciar todos os tipos de resíduos. As características da atividade e dos materiais, além do volume produzido, influenciam as alternativas disponíveis e a definição dos procedimentos necessários. Nesse contexto, a Marca Ambiental oferece soluções de tratamento, destinação e valorização de diferentes materiais, como a reciclagem de plásticos, papéis, embalagens, pneus e resíduos eletrônicos, o beneficiamento de vidro e óleo de fritura pós-consumo, a compostagem de resíduos orgânicos e o reaproveitamento de resíduos da construção civil e da indústria siderúrgica.
A valorização também pode ocorrer por meio da produção de materiais para outras atividades e do aproveitamento energético. Dessa forma, resíduos que seriam descartados podem retornar à cadeia produtiva como insumos, contribuindo para reduzir a necessidade de extração de recursos naturais.
No Espírito Santo, a empresa atua desde a década de 1990 na área de gerenciamento integrado de resíduos, sendo o primeiro aterro sanitário privado do Estado. O negócio surgiu da necessidade de uma destinação adequada para os resíduos, visto que, naquela época, o normal era que o descarte fosse feito em lixões. Um dos casos mais emblemáticos é o do bairro São Pedro, que nasceu a partir da ocupação do lixão da cidade e das áreas de manguezal.
Atualmente, a Marca Ambiental funciona como um Parque de Ecoindústrias, que reúne 14 empresas com atividades voltadas à valorização de diferentes materiais.
Segundo Gustavo Ribeiro, o modelo permite que cada resíduo encontre uma solução específica de reaproveitamento. As empresas atuam de forma integrada, compartilhando conhecimento e oportunidades de negócios.
“O Parque de Ecoindústrias reúne hoje 14 empresas com um propósito comum: dar a cada tipo de resíduo a solução de valorização mais adequada. Ele funciona como uma plataforma de soluções integradas. Costumamos dizer que é uma espécie de "shopping do lixo", onde cada material encontra quem saiba transformá-lo”, explica.
Só em 2025, o Grupo Marca tratou 1.904.408 toneladas de resíduos. Desse total, aproximadamente 485 mil toneladas foram valorizadas, o equivalente a cerca de 25% do volume recebido, segundo os dados da empresa.
No mesmo período, 130 mil toneladas de resíduos retornaram à sociedade na forma de agregados reciclados e outros materiais, como obras de pavimentação, recuperação de solos e novos processos industriais.
A gestão também se relaciona à prevenção de passivos ambientais e ao atendimento das exigências legais. Por isso, o planejamento deve considerar não apenas a retirada dos resíduos do estabelecimento, mas todo o processo, desde a geração até a destinação final.
Além disso, também no ano passado, o Grupo Marca conquistou o Selo Descarboniza-ES, tornando-se o primeiro grupo empresarial do Espírito Santo a receber a certificação concedida pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEAMA), durante a COP30, realizada em Belém (PA). O reconhecimento destaca organizações que adotam medidas efetivas para redução e compensação de emissões de gases de efeito estufa (GEE), reforçando seu compromisso com a transição para uma economia de baixo carbono.
“O pioneirismo faz parte da história do Grupo Marca, e o Selo Descarboniza-ES é mais um reflexo disso. Nos últimos anos, fizemos investimentos expressivos em transição energética e ampliamos o portfólio de soluções que oferecemos ao mercado, com a primeira usina termelétrica a biogás do Estado; uma usina fotovoltaica; e a primeira usina de biometano do Estado”, destaca Gustavo.
Apesar dos avanços na estrutura de gestão de resíduos, o descarte irregular continua sendo um problema no Brasil. O Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2025, publicado pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), aponta que cerca de 41% dos municípios brasileiros ainda destinam resíduos a lixões ou outras formas inadequadas de disposição final.
Além dos impactos ambientais, essa situação evidencia a importância de ampliar a infraestrutura de tratamento e destinação adequada. Segundo a Marca Ambiental, as operações do Grupo atenderam aproximadamente 4 milhões de habitantes em 2025, contribuindo para que os resíduos gerados por famílias, empresas e instituições recebessem destinação ambientalmente adequada.
Para Gustavo Ribeiro, ampliar essas soluções é parte do esforço para enfrentar o problema em diferentes regiões do país. No Espírito Santo, a empresa também busca expandir as alternativas de valorização dos resíduos, incluindo a geração de energia elétrica e a produção de biometano a partir do biogás.
“Os próximos passos já estão em andamento. Adquirimos caminhões movidos a biometano para transportar os próprios resíduos e estamos construindo, dentro da empresa, um posto para abastecê-las. Trata-se de um projeto completo, tanto pela transição energética quanto pela economia circular. A casca de fruta e o resto de comida que descartamos todos os dias se transformam em combustível renovável e voltam para as nossas casas, os nossos veículos, as empresas e as indústrias”, finaliza.
A gestão de resíduos, portanto, pode ser entendida como parte do planejamento operacional e ambiental de um negócio. Com diagnóstico e soluções adequadas a cada atividade, o que seria descartado pode ganhar novos usos, e esse será um dos temas do próximo conteúdo da série especial da Marca Ambiental.