O incêndio que devastou 60% da vegetação do Parque Ecológico de Itapenambi, em Vitória, pode trazer graves consequências à população. Isso porque o solo, agora, encontra-se solto, o que pode causar deslizamentos em dias de fortes chuvas, colocando em risco a área do entorno.
Solo de parque fica desestabilizado e pode causar deslizamentos em dias de chuvas
A avaliação é de Edson Valpassos, gerente de Controle e Monitoramento da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. "Fica aqui meu alerta, principalmente para a face que pegou fogo, que o solo agora está desestabilizado. A presença da vegetação tem o fator importante de segurar o solo que fica sobre a pedra. Como a vegetação morreu, as raízes foram queimadas, o solo fica solto. Se nós tivermos chuvas intensas, poderemos ter eventuais deslizamentos na encosta onde pegou fogo. O que aumenta o risco é a preocupação da gente com as consequências", explicou.
Além de prejudicar o solo, as consequências ambientais foram ainda mais graves. O local tomado pelo fogo, com o verde sendo substituído por grossas camadas de cinzas, abrigava espécies ameaçadas de extinção da flora capixaba como orquídeas e velosas, conhecidas com lírio da pedra. Os prejuízos são incalculáveis, segundo Valpassos.
"Você só encontra essas espécies aqui. E esse incêndio devastou justamente um grande trecho que tinha a presença dessas plantas. Em algumas áreas, que ainda existem essas plantas, ficaram preservadas. Essa área será interditada. A pessoa que vier para cá, eventualmente, pode ser enquadrada na Lei de Crime Ambiental", disse.
Edson Valpassos calcula que o parque demore para se recuperar, levando mais de dez anos.