Para amenizar os efeitos da crise hídrica, os comitês das bacias hidrográficas do Espírito Santo estão dando encaminhamento aos seus acordos de cooperação comunitária. Essa é uma das soluções discutidas para conseguir um equilíbrio entre o uso da água para abastecimento humano e a produção de alimentos. Nesta quinta-feira (22), em reunião na sede do Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema), o Fórum Capixaba de Comitês das Bacias Hidrográficas do Estado, aprovou por unanimidade a recomendação de que todos os comitês realizem essa análise.
Os acordos se fazem urgentes com o prolongado período de estiagem, causando prejuízos na agropecuária, indústria e comércio. O cenário é de plantações totalmente perdida e animais sem pasto ou água para consumo. Já há pedidos, inclusive, para o Exército e Sudene ajudarem na construção de poços.
Rio Santa Maria
O Comitês da Bacia do Santa Maria da Vitória deve protocolar nesta sexta-feira (23), o acordo firmado com usuários do recurso hídrico no município de Santa Maria de Jetibá, segundo o presidente do comitê, Roberto Dias Ribeiro.
"No Santa Maria da Vitória, não observamos tantos problemas para o que ele abastece Vitória hoje, durante a crise. Mas, para seu uso mesmo, na região dele temos questões mais difíceis, como pequenas comunidades que estão sem água; nascentes que secaram, que atendem até três residências. Para algumas regiões, principalmente no Alto Santa Maria, alguns produtores estão tendo muita dificuldade para produção de alimento. Principalmente, as folhosas, como alface, que não resistem ficar o dia todo sem pelo menos um vapor de água sobre elas", disse à Rádio CBN Vitória.
Nesta região, o horário de utilização da água será modificado. Reduziu o horário que os produtores ficarão sem irrigar a plantação à noite. Durante o dia, será possível irrigar, mas só para a plantação de folhosas onde a necessidade é maior. Um controle será feito pela Cesan, para evitar a queda excessiva do recurso hídrico. Na próxima semana, o acordo também deve ser fechado no município de Santa Leopoldina.
São Mateus: Exército e Sudene
As conversas também estão avançando no Comitê da Bacia Hidrográfica de São Mateus. O município mais afetado é São Mateus, que está na lista de racionamento de água da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh). Com o baixo nível das águas do rio, o ponto de captação do abastecimento público municipal está oferecendo água acima do teor de cloreto de sódio permitido, acima dos 12 mil ppm, sendo proibida o uso e nem consumo, segundo o presidente do Comitê, Arilson da Luz Mendes.
"Estamos tentando construir um acordo para que possamos atender os agricultores, mas que possa atender também a população de São Mateus. De forma emergencial pedimos que a Sudene e o Exército na construção de poços e na cessão de carros-pipas para que água de qualidade seja distribuída principalmente para a população carente", contou.
Além disso, uma documento chamado de "Carta de São Mateus", que elencam ações à curto, médio e longo prazo, foram entregues nos três níveis de governo: municipal, estadual e federal.
Colatina: carros-pipa
No Santa Maria do Doce, a situação também está crítica, segundo o presidente Olindo Antônio Demoner. "Vamos recuperar 650 hectares na bacia, onde está bem degradado. Não está desabastecido hoje porque o Sanear fez uma represa nas imediações de Boapaba e fez um trabalho de fiscalização, onde diminui a irrigação", disse.
Entretanto, Olindo não descarta a possibilidade de que mais localidades de Colatina comecem a ser abastecidas por carros-pipa em até 40 dias. Atualmente, isso acontece em Baunilha, Boapaba, Graçaranha.
Itaúnas e Jucu
Até o momento, apenas o Comitê da Bacia do Itaúnas fechou acordos, o que possibilitou a saída dos municípios de Pinheiros e Conceição da Barra da lista de racionamento da Agerh. O Comitê da Bacia do Rio Jucu acredita que na próxima semana, protocole os seus acordos. Os comitês da bacias do Santa Joana (em Itarana) e do Itapemirim também encaminham seus acordos.