Sabe aquele desconto que você ganha quando compra medicamentos genéricos? Eles estão diminuindo e o preço ficando mais alto. A justificativa é que, com a alta do dólar encareceu a produção, a indústria farmacêutica acabou cortando os descontos que eram oferecidos aos distribuidores e, consequentemente, às farmácias. No fechamento dessa conta, quem paga mais caro são os consumidores.
Um levantamento da Associação Brasileira das Industrias de Medicamentos Genéricos aponta que a diferença média entre os genéricos e os remédios de marca caiu de 60%, no primeiro semestre, para 40%, em setembro. O reajuste anual no preço dos remédios é autorizado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). O aumento máximo permitido este ano aos fabricantes foi fixado em até 7,7%.
Tabela
Apesar do reajuste máximo não poder ultrapassar o teto estipulado, o presidente do Sindicato de produtos químicos do Espírito Santo (Sindiquímicos), Elias Cucco, explica que os laboratórios e as farmácias trabalham com uma tabela de descontos que podem sofrer variações dentro do limite definido pelo CMED. Segundo Cucco, os custos de produção estão bem mais altos. “Pelo menos 90% da matéria-prima é importada e, com o aumento do dólar, ficou mais caro produzir os genéricos e os medicamentos de referência”, explicou.
O presidente enfatizou ainda que os custos com energia elétrica, água e impostos também subiram muito para os empresários, o que pressiona a elevação nos preços. Em alguns estabelecimentos da Grande Vitória, os genéricos já estão com menos descontos. Gerente de uma farmácia em Vila Velha, Edeltraud Leffler, conta que para manter as vendas, o valor de medicamentos de uso contínuo, como os utilizados no tratamento de hipertensão e diabetes, por exemplo, foram mantidos como forma de manter os clientes.
Já os produtos que não tem essa característica sofrem redução nos descontos, portanto, ficaram mais caros. “O medicamento que antes era trabalhado com 50%, 60% de desconto, agora estamos trabalhando com 30% até 40%”, contou a gerente.
Preços
Medicamentos como semeticona, utilizado no tratamento de gases, era comercializado há dois meses por menos de R$10, neste mês o produto está sendo vendido na farmácia por R$13,90. Também houve aumento no valor do Paracetamol, que era vendido a R$7,00 e agora a R$ 12,10.
O farmacêutico, Walasten Melhorin, disse que apesar dos descontos que eram repassados ao estabelecimento dele terem caído, os preços serão mantidos até o final do ano, mas caso o quadro permaneça, haverá redução nos descontos e aumento para os clientes no início do ano que vem.