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RECONHECIMENTO

Moqueca capixaba pode se tornar patrimônio cultural do país

O prato típico do Espírito Santo é o 'carro-chefe' de 87% dos restaurantes no litoral capixaba

Publicado em 02 de Outubro de 2015 às 22:46

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02 out 2015 às 22:46
“Moqueca, de verdade, é capixaba. O resto é peixada.” A célebre frase do jornalista Cacau Monjardim está na ponta da língua do povo capixaba, orgulhoso de seu prato mais característico. E é considerando a importância da iguaria para a identidade cultural local que foram reunidos historiadores, chefes de cozinha e turismólogos para resgatar a receita original dessa refeição e protocolar, junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), um pedido que pode transformar a moqueca capixaba em patrimônio cultural imaterial do Brasil.
Para se ter uma ideia da importância do prato para o Estado, de acordo com a professora da Ufes e historiadora que pesquisa a História da Alimentação, Patrícia Merlo, a moqueca é o “carro-chefe” de 87% dos restaurantes do litoral capixaba. A pesquisadora participou de todo o estudo e revela que a intenção transformar o prato em símbolo nacional. Segundo Patrícia, a ação proporciona um resgate da história local.
“A moqueca é o prato mais representativo da nossa culinária em termos de identidade e é, também, extremamente importante do ponto de vista comercial. A preocupação é converter um símbolo que é nosso, que é estadual, em um símbolo protegido nacionalmente já que esse é um saber que traduz muito da própria história do próprio Espírito Santo no decurso desses cinco séculos de História”, disse a pesquisadora.
Turismo
O subsecretário de turismo de Vitória, Felipe Ramaldes, destaca que, quando a panela de barro se tornou patrimônio cultural imaterial, a cidade ganhou do ponto de vista turístico, transformando as paneleiras de Goiabeiras em um dos principais atrativos do município. Para o subsecretário, a moqueca pode percorrer o mesmo caminho e trazer impactos para o turismo das cidades capixabas.
“As pessoas buscam, quando vão à uma grande cidade, o que marca aquele local, o que há de identitário. A partir do momento que há um registro, as pessoas buscam com mais confiança porque é embasado por um órgão técnico. Então, o patrimônio é mais promovido e fica mais conhecido e isso pode ser um fator de aumento de fluxo turístico”, pontuou o Felipe.
Contribuição
Bia Souza é proprietária de um dos restaurantes mais tradicionais da Ilha das Caieiras, local famoso por servir moquecas em Vitória. Bia, que é filha de um pescador, serve, há quinze, um pouquinho da identidade cultural do Espírito Santo dentro de panelas de barro. Para ela, a transformação do prato em patrimônio cultural imaterial deve contribuir positivamente para os comerciantes.
“A gente precisava de um selo também. A gente tem que batalhar com o que tem e divulgar o nosso estabelecimento e a nossa moqueca. Então, uma forcinha vai ser bem melhor”, contou Bia.
De acordo com a pesquisadora Patrícia Merlo, foi elaborado um dossiê sobre a moqueca capixaba que servirá como base para um pedido que deve ser protocolado no Iphan ainda em outubro. Após essa etapa, o instituto vai definir se o prato se tornará patrimônio cultural imaterial brasileiro. O estudo é de iniciativa do Espírito Santo Convention & Visitors Bureau, uma entidade formada por empresários ligados ao Turismo na Grande Vitória.

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