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Vitória 468 anos

Fachadas de casas viram galeria de arte em Ilha das Caieiras

Inspirado na cultura e na história da própria comunidade, o grupo Cidade Quintal pintou várias fachadas no bairro

Publicado em 08 de Outubro de 2019 às 20:44

Caique Verli

Publicado em 

08 out 2019 às 20:44
Projeto Cidade Quintal pinta casas e comércios em Ilha das Caieiras Crédito: Caíque Verli
A escola, as casas, a praça e o museu. A Rua Felicidade Correia dos Santos, na Ilha das Caieiras, em Vitória, ganhou mais cor e mais vida. Inspirado na cultura e na história da própria comunidade, o grupo Cidade Quintal, que realiza intervenções artísticas e atividades culturais, pintou várias fachadas de residências no bairro.
Ilha das Caieiras se tranforma em galeria de arte a céu aberto
A pesca, a desfiadeira de siri, os peixes e os moradores do bairro. Tudo virou uma galeria de arte a céu aberto e foi parar nas paredes da comunidade. A ação é fruto do projeto “A Arte é Nossa”, da Secretaria Municipal de Cultura de Vitória (Semc).
Nenhum morador paga pela obra artística – sai tudo de graça para a comunidade. Por meses, o grupo de artistas fez um processo de imersão na comunidade, conversando com os moradores, que reviveram histórias e tradições.
"Teve aquele trabalho de fazer reunião e ver se foi aprovado. Fizeram uma reunião com a gente na escola e mostraram como seria cada casa", conta a aposentada Sueli Da Silva.
Após o período de estudos, o grupo, na última semana, transformou a pesquisa em obra de arte. Na casa da Sueli, os artistas pintaram um homem saltando na maré. Tudo isso tem uma explicação: é que os filhos da aposentada brincavam disso quando era criança. A aposentada ficou toda boba quando viu o resultado.
"Fico muito feliz. Achei que não ia dar certo, que o pessoal ia passar falando que não gostou, mas eu adorei. Todo mundo passa admirando. Meus filhos pulavam de casa na maré e eles fizeram uma pessoa pulando na água. Hoje mais não, mas já pularam. Eles pulavam porque eu não estava em casa, estava trabalhando", lembra.
Casas antigas revelam as histórias de Vitória Sueli não foi a única homenageada pelo projeto. A pintura que representa o trabalho da irmã do aposentado João Manoel Nascimento também foi parar na fachada da casa da família dele.
"A minha irmã é desfiadeira de siri. A pintura retrata ela com o siri na mão desfiando. Fizeram uma espécie de homenagem a ela", conta. A comunidade se vê, se sente representada e lembra da própria história ao olhar para as pinturas.
A comerciante Eliana Correa, 61 anos, se orgulha ao ver a irmã e o primo na obra de arte feita na praça anexa ao Museu do Pescador. "Minha família foi homenageada. O João Pedro, aquele pescador ali remendando rede, é meu primo. E aquela desfiadeira de siri é minha irmã. Fiquei muito feliz. É um orgulho muito grande", comenta.
Além de agradar os moradores, os turistas também ficam encantados com a galeria de arte. Bom para o restaurante do Nilton Matoso, que também foi contemplado pelo projeto. "Ótimo, coisa louca, muito bonito. Pessoal tira foto direto aqui. Ajuda muito porque uma pintura dessas eu não tinha condição nem de fazer. Deu uma outra aparência para o restaurante",comemora Nilton.
Ao todo, seis casas, um restaurante e o muro da escola estadual Elza Lemos Andreata formam a obra “Pessoas, percurso e paisagem”, do artista Renato Pontello, que levou em conta a relação do bairro com as águas e também o modo de vida da população.
Já no Museu do Pescador, a obra acabou recebendo o nome de “Mulheres do Cais”, retratando os ofícios realizados na comunidade, como o desfio de siri e a pesca, mas também com uma discussão sobre a mulher na arte urbana.
Pelo projeto da Secretaria Municipal de Cultura, cada proposta selecionada recebe a quantia de R$ 50 mil da Prefeitura para realizar intervenções artístico-culturais numa área mínima de 500 m², contínua ou não. Como foram duas obras, o grupo recebeu R$ 100 mil.

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