Para amenizar os efeitos da seca prolongada e aumentar o nível dos rios será necessário que chova 250 milímetros por mês no Espírito Santo até dezembro. A estimativa é do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (CREA-ES). Mas, para resolver mesmo a questão da crise hídrica, seria necessário chover de 800 a 900 milímetros no Estado até final de maio de 2016.
A previsão inicial do conselho, feita no início de outubro, é de que seriam necessários 160 milímetros de chuva por mês até o final do ano para reverter a situação. Mas, como esse volume de água não veio, a estimativa aumentou, segundo o presidente Helder Carnielli, presidente do CREA-ES.
"O período chuvoso tem uma média de 150 a 180 milímetros de chuva/mês e isso não está ocorrendo. Em outubro, não choveu 10 milímetros na Capital. Choveu pontualmente em alguns locais do Estado. Se conseguirmos 160 mm de água, ou seja, 25 cm de água isso vai dar uma situação de recuperar os mananciais. A agricultura que já se perdeu, não tem jeito", disse.
Chuva distribuída
Carnielli frisa que essa quantidade de chuva deve vir de forma distribuída, ao longo dos dias no curso do mês, e não pode vir em uma pancada única, se não causariam grandes estragos ao invés de ser uma solução ao problema da seca.
"Porque o solo está desmatado. Muitas dessas áreas estão sendo ocupadas com pastagem, que causa um impacto muito grande no solo. Então, esse solo está desnudo. Quando a chuva bate com muita intensidade, não tem uma mata para amortecer o pingo d'água, ele vai bater no solo e vai escorrer, ganhando velocidade, fazendo a erosão acontecer e, ao chegar no rio, vai assoreá-lo e provocar enchente. Isso ao invés de penetrar no solo e abastecer os lençóis freáticos", explicou.
Na semana passada, o CREA-ES visitou o interior do Estado para realizar um diagnóstico dos rios, córregos e nascentes. O cenário desenhado pela estiagem prolongada é de nascentes secas e rios se transformando em filetes de água.
Fruticultura
Os rios que abastecem a Grande Vitória encontram-se em situação crítica, com a vazão de água bem menor que os registros históricos. Além disso, a seca fez com que safras inteiras de agricultura perdidas e gado morrendo. A principal cultura atingida no Estado é o café, onde a perda da produção varia entre 30 e 50%, sendo o pico de gravidade maior no Norte do Espírito Santo. A fruticultura, que necessita de irrigação abundante, sofre uma perda estimada em 20%, segundo o presidente do CREA-ES.
Ainda de acordo com o conselho, o Estado precisa aprender a lidar com a chuva. Para isso, seria necessário o desenvolvimento de políticas públicas: realizar um diagnóstico de cada bacia, fazer um levantamento dos problemas de cada uma, um levantamento de usuários tanto humano quanto para agropecuária, detalhar a demanda de cada um deles e, assim, construir um programa de barragens e reservatórios que supra as demandas em época de seca e crise hídrica. A recuperação do topo do rio e das matas ciliares para que as nascentes não cheguem no Estado que estão, também é uma alternativa apontada pela instituição.
Medição
A última medição feita pela Cesan no Rio Jucu, no último dia 21, mostra o Rio Jucu com vazão de 4.953 litros por segundo. Para ser considerado crítico, deve-se ter vazão de 5.292 litros por segundo. A média de vazão para o rio no mês de outubro é de 18.689 litros por segundo. Já o Santa Maria da Vitória apresentou vazão de 2.760 litros por segundo, enquanto a situação crítica é de 3.800 litros por segundo. A média de vazão para o rio no mês de outubro é de 8.972.