Com a crise financeira, muitas famílias já estão revendo seus orçamentos para garantir os estudos dos filhos. Afinal de contas, para o próximo ano estão previstos reajustes nas mensalidades das escolas particulares. Paralelamente, o Sindicato das Empresas Particulares do Ensino do Espírito Santo (Sinepe-ES) registrou um aumento de 2,3% da inadimplência no primeiro semestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2014.
Em sua maioria, os atrasos no pagamento são de 60 dias, segundo o presidente do Sinepe, Antônio Eugênio Cunha. "Isso significa dizer que os pais estão acomodando seu orçamento para poder redimensionar os seus pagamentos", explicou.
Escolas particulares registram aumento de 2 por cento na inadimplência
Apesar da expectativa para o próximo semestre seja de porcentagens ainda maiores de pais que deixam de pagar as mensalidades, o reajuste é certo segundo Cunha. Ele reforça que o aumento no preço da matrícula e mensalidades se dará "porque os custos que compõe a planilha do serviço de educação sofreram reajuste acentuado ao longo desse ano".
Cunha não descarta que haja uma migração de alunos para escolas que ofereçam custos mais baratos e facilidades para os pais, ou mesmo para a escola pública. "Esses fenômeno pode vir a ocorrer na metade do segundo semestre, porque temos alguns fenômenos sendo intensificados conforme o cenário econômico", disse.
Negociação
Especialista em finanças, a professora doutora da Fucape, Graziela Fortunato avalia que os pais devem levar em conta diversos pontos na hora de montar o planejamento financeiro e definir sobre a matrícula em uma escola.
"A educação é um gênero de primeira necessidade, então existe duas formas de ver isso. Primeiro, para aqueles pais que primam pela qualidade, eu acho que preço não é o que vai ser visto de primeira. Então, você vai cortar gastos para poder manter a criança na escola cuja a qualidade de ensino ele quer preservar. A segunda alternativa, caso realmente você esteja com alguma dívida e não consiga manter a criança na escola que você paga, por conta de preço, aí sim você trocaria a criança de escola, para ter um ensino mais barato. Muitos pais já mudam a criança para escola pública para diminuir esse gasto", explicou.
Para as famílias com problemas de pagamento, vale tentar renegociar as mensalidades atrasadas, segundo a especialista. "Por lei, os alunos não podem deixar de assistir aula no ano letivo mesmo que seja um inadimplente. Então, você entrar em negociação com os pais para sanar uma divida no colégio é uma alternativa que os dois lados ganham", ponderou.
Renegociar o número de parcelas da mensalidade para readequar ao orçamento também é uma boa opção. Outra dica é direcionar o 13º salário para o pagamento da matrícula, além de tributos como IPVA e IPTU, cobrados geralmente no início do ano.
Para quem vai trocar o filho de escola, ainda na rede privada, ou está a procura da primeira unidade educacional da criança, a dica é escolher um colégio próximo de casa, para evitar gastos com transporte, e analisar a grade curricular: algumas escolas oferecem cursos de idiomas e atividades esportistas pós-aulas, por exemplo, já inclusos na mensalidade, evitando assim gastos extras.