A Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República divulgou os resultados da pesquisa “O Brasil que Voa”, que traça um perfil dos passageiros e aponta os principais aeroportos e rotas de viagem do país. Além disso, o estudo identificou os maiores fluxos entre municípios sem oferta de serviços diretos. E o levantamento surpreende: a rota Rio de Janeiro x Vila Velha é a mais comum no país entre os trechos inexistentes. 150.926 passageiros fizeram esse trajeto, saindo ou chegando à cidade capixaba, em 2014.
Para o diretor do Departamento de Planejamento e Estudos da Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República, Rodrigo Otávio Cruz, esse fato pode ajudar o poder público a avaliar se é preciso investir em infraestrutura aeroportuária em Vila Velha.
“Esse dado serve para auxiliar o poder público no planejamento da expansão de infraestrutura. No caso específico de Vila Velha, o poder público precisa olhar para esse município e pensar: será que compensa investir em infraestrutura aeroportuária em Vila Velha ou será que o aeroporto de Vitória já atende a demanda?”, indagou Rodrigo.
Além disso, a pesquisa identificou que os seguintes municípios do Espírito Santo possuem mercado potencial para instalação de um aeroporto: Aracruz, Cariacica, Colatina, Guarapari, Linhares, São Mateus, Serra e Vila Velha. Isso significa que essas cidades têm movimentação superior a 65 mil passageiros por ano, o que, de acordo com o estudo, seria capaz de fornecer viajantes suficientes para ocupar os movimentos de pouso e decolagem de uma aeronave de 114 assentos, com um índice de 85% de ocupação, todos os dias do ano.
De acordo com estatística da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), entre embarques e desembarques, passaram pelo aeroporto de Vitória mais de 3,5 milhões de passageiros em 2014.
Na região sudeste, a maior parte dos usuários de transporte aéreo é homem, tem entre 31 e 45 anos e renda entre 5 e 10 salários mínimos. Para Rodrigo Cruz, isso revela que, atualmente, não são somente os mais ricos que usam os aeroportos.
“Hoje, não é só o passageiro de renda mais alta que voa. 45% de todos os passageiros têm uma renda familiar de até 10 salários mínimos. Então, isso reforça a nossa ideia de que a gente tem vários perfis de brasileiro voando”, disse o diretor à Rádio CBN Vitória.
A pesquisa foi feita nos 65 aeroportos mais movimentados do Brasil e realizou mais de 150 mil entrevistas para traçar um perfil dos viajantes.