Demora dos ônibus, falta de informação, extinção de linhas e superlotação em ônibus convencionais. Essas foram as principais reclamações dos usuários do transporte coletivo de Vitória no primeiro dia útil de funcionamento do novo projeto de mobilidade pública da capital, o "Integra Vitória". Na manhã desta segunda-feira (05), muitos passageiros aguardavam confusos os ônibus nos pontos dos bairros da cidade.
O novo sistema, que entrou em vigor no sábado (03), tem a proposta de garantir ao usuário mais opções de deslocamento. A partir de agora um micro-ônibus leva o passageiro do bairro até um ponto de integração, onde o usuário terá acesso a linhas que levam para qualquer outro ponto da capital.
Dúvidas e confusão nos pontos de ônibus no primeiro dia útil de funcionamento do Integra Vitória
No bairro Resistência, os moradores reclamavam da extinção da linha 332, que fazia o itinerário Conquista/Goiabeiras. É o caso do senhor Edivaldo Cruz, de 65 anos, que utilizava a linha para ir ao trabalho, na região de Goiabeiras, e não gostou nada da mudança. “Ao invés de facilitar para os moradores, piorou muito. A gente pegava esse ônibus e ia direto, agora temos que fazer baldeação”, reclamou.
Assim como ele, outros moradores também reprovaram a mudança. A Secretaria de Transportes, Trânsito e Infraestrutura Urbana (Setran) da Capital, informou que algumas linhas de micro-ônibus que ligava alguns bairros, como a 332, passaram por uma remodelagem. Foram criadas 16 novas linhas que vão circular dentro dos bairros e alimentar os 46 pontos de integração em várias partes da cidade. O usuário tem 30 minutos para pegar o segundo ônibus a partir do desembarque.
Ainda nos bairros, muitas pessoas desistiram de esperar o ônibus e preferiram ir a pé até grandes corredores, como a Rodovia Serafim Derenzi. A moradora do bairro, Val Nascimento, de 29 anos, optou por fazer uma caminhada de 10 minutos para não perder a hora da aula na autoescola. Normalmente ela utilizada a linha 303 para fazer o percurso até Jardim da Penha. “Hoje eu não sei qual vou pegar. Já era tudo certinho o meu horário, eu pegava às 8 horas no ponto, mas hoje eu não sei”, relatou.
Já nos pontos de integração, o problema era outro. Os usuários reclamavam da superlotação dos coletivos. A estudante Gabriela Vieira Quadros, que aguardava no ponto de integração na Avenida Maruípe, próximo ao Campo do Caxias, teve que esperar um ônibus vazio para seguir viagem. " Estão vindo bem cheios, tem muita gente reclamando"
Fiscais da Setran e do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (Setpes) estavam nos pontos de integração acompanhando a movimentação e instruindo os usuários. Sobre a lotação dos ônibus a secretaria informou que estão sendo feitos levantamentos e estudo de demanda para identificar quais linhas precisam ser reforçadas com carros extras.
De acordo com o Setpes, o Integra Vitória funcionou dentro da normalidade, com exceção dos bairros Conquista, Resistência e Santa Marta, onde os moradores apresentaram uma objeção em dividir a mesma linha, no caso a 221. Esse problema já está sendo solucionado pela Prefeitura de Vitória. Para ter acesso ao novo modelo de transporte, o usuário precisa possuir o Cartão Siga Vitoria, que é oferecido gratuitamente.