Clientes que procuram renegociação de dívidas, principalmente com cartão de crédito, apontam que os juros sobre juros estão entre os principais problemas em quitar o débito. Por outro lado, os descontos concedidos pelas empresas em negociações com clientes inadimplentes, ou o abatimento de juros e multas decorrentes dos atrasos nos pagamentos, são lançados no balanço contábil dos empreendimentos como perdido ou prejuízo. Segundo o economista, Mário Vasconcelos, já é previsto no balanço patrimonial da empresa o percentual de perdas provenientes ao não pagamento.
De acordo com o economista, normalmente o valor que é pago pelo cliente, com os descontos, é registrado como valor principal ou seja o que não é perdido. Vasconcelos frisa que negociar uma dívida, seja no cartão de crédito, comércio ou em outras instituições, é sempre um bom negócio para ambos, já que este acordo garante ao devedor a chance de pagar menos juros e aumenta as chances da empresa receber o valor devido.
No caso dos cartões de créditos, os consumidores que perderem o controle dos gastos podem ver suas contas se multiplicarem rapidamente, pois as taxas de juros nessa modalidade, normalmente, são elevadas, e o atraso no pagamento ocasiona a cobrança de juros compostos. “Uma conta de mil reais, com taxas de juros a 15% ao mês, no cartão de crédito, gera, em um ano, um valor de R$6 mil e a tendência é aumentar”, alerta o economista.
Segundo a diretora-presidente do Procon, Denize Izaíta, o alto juros cobrados pelas financeiras é, atualmente, uma das principais reclamações dos consumidores que procuram o 2° Mutirão de Negociação de Dívidas do Procon Estadual, que está sendo realizado até o dia 23 de outubro. Izaíta destaca que diversas dívidas negociadas tiveram os juros acumulados retirados, o que fez com que os valores devidos pelos clientes despencasse.
Morador da Serra, Bruno Nascimento, de 30 anos, ganhou um desconto que foi além de suas expectativas. Há dois anos, ele viu as finanças pessoais entrarem numa grande desorganização com o cartão de crédito a dívida inicial, que girava em torno de R$ 7.500 chegou a R$ 123.000. Nesta terça-feira (20), no mutirão, esse valor caiu para R$ 9 mil reais - ou seja, 7,3% do valor total. Ele ainda poderá pagar esse valor em 36 vezes no boleto. Assim como Bruno, diversas pessoas que aguardam para tirar o nome do vermelho, também se envidaram por causa da cobrança elevada de juros e multas.