A crise financeira pode deixar muita gente sem presentes no Natal. De acordo com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo (Fecomércio-ES), as vendas no comércio do Espírito Santo neste final de ano devem cair 12% se comparado com 2014. O número de contratações temporárias também será menor este ano, com redução de 50%.
De acordo com o presidente da Fecomércio, José Lino Sepulcri, o aumento da energia elétrica, dos juros e do combustível está refletindo nas compras do capixaba. Segundo ele, além do reajuste salarial dos trabalhadores este ano ter sido pouco, a inflação está consumindo o repasse, com isso, o capixaba perdeu o poder de compra.
Comércio prevê queda de 12 por cento nas vendas de Natal
Sem dinheiro e com os produtos cada vez mais caros, a dona de casa Roberta Mansur contou que os presentes que custam mais vão ficar para uma outra oportunidade. Este será o Natal das lembrancinhas e poucos serão os privilegiados. Apenas a filha de cinco anos vai ganhar um bom presente. “Vai ser só lembrancinha mesmo para o marido, pai, mãe e se der, para o irmão. Para minha filha, que é criança, o presente vai ser um pouquinho mais caro”, contou.
Ano anterior já teve queda
José Lino explica que o comércio capixaba vem amargando queda nas vendas desde o final do ano passado, entretanto, a expectativa era que o cenário mudasse para melhor ao longo de 2015, o que não ocorreu. “Pensava-se que a partir do segundo semestre as vendas seriam retomadas, mas isso não aconteceu. A expectativa de otimismo que estávamos para o final do ano, infelizmente, não vai acontecer e não existe nenhuma perspectiva”, afirmou.
Com previsão de queda nas vendas, as contratações também serão menores este ano. Em 2014 o comércio do Estado contratou temporariamente quatro mil pessoas. Para este fim de ano, segundo a Fecomércio, as contratações não devem passar de duas mil. O cenário de pessimismo não se restringe ao Espírito Santo, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), as vendas devem cair 4,1% em todo Brasil, a primeira queda desde 2004.