Quase 1.500 indústrias em todo Estado podem ser afetadas pelas restrições de captação de água dos rios anunciadas pela Agência de Recursos Hídricos do Estado (Agerh). Em entrevista à Rádio CBN nesta terça-feira (06), o diretor de planejamento e gestão hídrica da Agerh, Robson Monteiro, informou que nas cidades onde já há o racionamento de água, as empresas podem ter de suspender as produções.
Em nove cidades do Estado a captação de água nos próximos 15 dias só pode ser para o consumo humano, segundo resolução da Agerh. De acordo com o secretário Estadual de Agricultura, Octaciano Neto, uma usina de álcool em Conceição da Barra corre o risco de ficar fechada nas próximas duas semanas, pois toda a produção depende de água.
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo (Faes), Júlio Rocha destacou que o racionamento de água vai aumentar o preço da frutas, verduras e legumes. “A restrição vai prejudicar a produção e vai forçar, através da lei da oferta e da procura, a elevação do custo dos produtos que não podem ficar sem irrigação”, disse.
Nas cidades onde não há racionamento, incluindo a Grande Vitória, a captação da água para uso industrial deverá ser feita apenas à noite, entre 18h e 5h. Segundo a Cesan, a água direcionada para a Arcelor Mittal e Vale já foi reduzida. No caso da Arcelor, houve redução de 800 para 600 litros por segundo. Na Vale, a redução foi de 200 para 100 litros.
Por nota, a Vale informou que desde o início do ano, com o agravamento da crise hídrica, vem implementando ações emergenciais para reduzir ainda mais o uso de água em suas operações no Complexo de Tubarão. Informou também que a empresa está se adaptando para cumprir as orientações do governo do Estado em relação à disponibilidade de água, visando a manter as suas operações.
A Arcelor informou que uma Estação de Tratamento de Água para reuso está em fase de conclusão na empresa. Com a iniciativa, a Arcelor poderá chegar à produção de até 400 m³/h de água industrial, dependendo do efluente disponível.
Com a colaboração de Vilmara Fernandes e Luísa Torre