Um ajudante de carga e descarga de 30 anos, identificado como Vinicius Santiago Barbosa da Silva, morreu após uma colisão envolvendo o Honda Fit em que ele estava e uma BMW 320i conduzida por um motorista de 30 anos que, segundo boletim registrado pela Polícia Militar, dirigia com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa. O acidente ocorreu no último dia 30, na Rodovia do Sol, na altura do bairro Interlagos, em Vila Velha, e, desde então, a vítima estava internada em estado grave. A morte foi confirmada nesta semana.
Vinícius estava no Honda Fit com a filha, de oito anos, e um amigo, o gerente de indústria Maycon Santos, de 31 anos, que dirigia o carro. A menina sofreu ferimentos no rosto e fratura exposta na perna direita, e foi levada para o Hospital Infantil Milena Gottardi, em Vitória. Ela passou por cirurgia e já teve alta. O condutor teve ferimentos leves. Já Vinicius sofreu fraturas nas costelas e no fêmur, teve traumatismo craniano, passou por cirurgia e permaneceu intubado até ter sua morte constatada. Na BMW 320i estavam o motorista, que não se feriu, e uma jovem de 22 anos, que ficou com escoriações.
Segundo a família de Vinicius, desde o momento em que ele foi internado, os médicos já indicavam que o quadro era gravíssimo, com possibilidade de morte encefálica.
"Eles começaram o protocolo para constatar a morte encefálica, são três fases. Na primeira, o meu irmão não reagiu, a pupila dele não estava dilatando. Tiraram o respirador por dez minutos para ver se ele reagia, e nada. Aí, na terceira fase, um exame complementar confirmou a ausência de fluxo sanguíneo cerebral, veio uma pessoa de São Paulo e constatou. Constataram a morte encefálica", contou a irmã de Vinícius à reportagem do g1 ES.
Ela disse que a família autorizou a doação de órgãos e que o procedimento foi realizado na segunda-feira (8). O enterro está previsto para as 14h desta terça-feira (9), em Cariacica.
"Ficha ainda não caiu", diz amigo de Vinícius
Maycon Santos, que estava ao volante do Honda Fit, é padrinho da filha de Vinicius e disse estar muito abalado com a morte do amigo de infância. "Já sabíamos que a situação dele era muito grave, mas eu tinha esperança, mesmo com a morte cerebral, mesmo assim sempre esperamos um milagre. A ficha ainda não caiu ainda", lamentou.
O gerente de indústria sofreu um ferimento profundo na cabeça, lesões nas costas e nas mãos e está com uma luxação na perna direita. Ele contou que se lembra de momentos anteriores ao acidente.
"O Vinícius me chamou para esse dia em família e curtimos. Depois, minha afilhada ficou com fome e resolvemos voltar para casa. Quando eu estava saindo da rodovia estavam vindo dois carros, eu ainda esperei eles passarem, aí quando acessei e joguei para a esquerda para pegar o contorno sentido Vila Velha, eu já não lembro mais nada, só de quando acordei após o acidente", contou.
Ele explicou que não tinha noção de que Vinicius havia sido socorrido em situação tão grave e considera um milagre a afilhada ter sobrevivido. "Lembro de ter acordado ainda dentro do carro, e ter olhado para trás. A primeira coisa que me veio à cabeça é que a minha afilhada poderia ter morrido devido ao impacto e como o carro estava. Mas os socorristas disseram que ela tinha sido levada consciente para o hospital", contou.
Segundo Maycon, Vinícius morava no bairro Boa Sorte, em Cariacica.
Relembre
O acidente ocorreu por volta das 14h55 do dia 30 de novembro, um domingo, no sentido Guarapari da Rodovia do Sol, em Vila Velha. A batida envolveu um Honda Fit, onde estavam Vinicius, a filha e o amigo da família, e uma BMW 320i ocupada pelo condutor e por uma jovem de 22 anos.
Consta em boletim de ocorrência da Polícia Militar (PM) que o motorista da BMW 320i estava sem cinto de segurança e tinha o direito de dirigir suspenso de 3 de setembro deste ano até 1º de maio de 2026. Ele foi submetido ao teste do bafômetro, que deu 0,00 mg/L, negativo para alcoolemia. Segundo os militares, o condutor não quis apresentar sua versão sobre o acidente. O condutor do Honda Fit sofreu ferimentos leves e disse aos policiais não lembrar como a colisão aconteceu. Ele não apresentava sinais de embriaguez, segundo a PM.
Os dois veículos foram removidos da pista pela Companhia Estadual de Transportes Coletivos de Passageiros do Estado do Espírito Santo (Ceturb-ES), que informou não haver câmeras de videomonitoramento no trecho onde ocorreu a batida.
Caso está em investigação
Procurada por A Gazeta, a Polícia Civil informou que o caso é investigado pela Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (DDT), que está realizando diligências e oitivas de testemunhas.
O que diz o motorista da BMW
O advogado Gilbran Federici Almeida, que representa Kevin Almeida das Graças, condutor da BMW, disse que seu cliente estava a caminho da praia com a companheira, quando o acidente aconteceu.
"De acordo com o meu cliente, ele vinha trafegando na via normalmente, um veículo ingressou na sua via rápida à esquerda, impossibilitando a freada. Ele, categoricamente, disse para mim que não estava praticando racha", afirmou Almeida.
O advogado explicou ainda que seu cliente dirigia com a CNH suspensa porque precisou dirigir o veículo, já que a companheira dele havia passado mal e não podia assumir a direção. Ele também afirmou que Kevin afirma que estava de cinto no momento do acidente, tanto que ficou com marcas do item de segurança no corpo.
*Com informações da repórter Ana Elisa Bassi, do g1 ES