Vizinhos de Luiz Fernando Pezão foram acordados ao som de helicóptero e sirenes na manhã desta quinta-feira. Alvo da operação Boca de Lobo, um desdobramento da Lava Jato no Rio, o governador foi preso na sua residência oficial, o Palácio Laranjeiras, na Zona Sul da cidade. Agentes da Polícia Federal e do Ministério Público chegaram às 6h e permaneceram no local por cerca de uma hora. Pezão ainda teve tempo de tomar café antes de ser levado para a sede da PF. Ao longo deste tempo, moradores do entorno aproveitaram para se manifestar.
Das janelas de um prédio no número 296 da Rua Paulo Cézar de Andrade, que fica bem em frente à saída do Palácio, moradores bateram palmas e fizeram fotos da ação dos policiais. Alguns ainda desceram para acompanhar de perto a movimentação. Foi o caso da servidora aposentada do estado Aldacir Barbosa Nakayama, de 64 anos.
Moro bem aqui de frente. Acordei com o barulho dos helicópteros e vim aqui esperar para aplaudir de perto. A gente tem que torcer pela limpeza na política do país.
Quando os agentes federais deixaram o palácio, às 7h35, levando o governador preso, muitos moradores foram às janelas aplaudir enquanto o comboio passava. A prisão do governador se tornou o assunto do dia nas conversas de um grupo de idosas que se reúne todos os dias no Parque Guinle, que margeia o Palácio Laranjeiras.
Na época do Cabral eu estava acostumada a ouvir sempre o som dos helicópteros, mas hoje foi diferente. A prisão dele não foi uma surpresa, mas já está tão perto do fim do governo que achei que não fosse acontecer. Agora a pergunta que fica é: cadê esse dinheiro todo? diz a aposentada Yolanda Carneiro, de 92 anos, moradora de Laranjeiras há três décadas.
O representante de vendas Francisco Lima, de 48 anos, que passa todos os dias em frente à entrada do palácio, no caminho para o trabalho, comemorou a prisão:
Já estava na hora. Passo todos os dias aqui é esperava mesmo ver essa cena mais cedo ou mais tarde. Não muda nada na nossa vida imediatamente, mas a gente espera que sirva de exemplo para outros políticos.
Buscas em cinco endereços
Pelo menos cinco endereços de Pezão foram alvos das equipes da Polícia Federal nesta quinta-feira. Além dos palácios Laranjeiras e Guanabara residência oficial do governador e sede do governo estadual, respectivamente , agentes também estiveram na casa de Pezão em Piraí, no apartamento dele, no Leblon e até na casa da mãe do governador, dona Ecy, no mesmo bairro.
A prisão de Pezão ocorreu no Palácio Laranjeiras, por volta das 6h. Quase ao mesmo tempo, policiais chegavam ao Palácio Guanabara, onde realizam buscas. No apartamento do governador, a equipe da PF não achou ninguém. Em Piraí, os agentes tiveram que chamar Amanda, a enteada do governador, para que ela abrisse a porta.
Em Piraí, a movimentação dos policiais em frente à casa chamou a atenção de pessoas que passavam pelo local. Algumas comemoraram a prisão do governador. Júlia Vieira, que passava em frente à residência no seu caminho para o trabalho, parou para perguntar o que estava acontecendo.
Demorou, né disse ela, quando foi informada da prisão do governador.
Na opinião da moradora, Pezão fez ótima gestão como prefeito de Piraí, mas se corrompeu quando chegou ao governo estadual.
Cabral já está preso há um tempo, e os dois trabalharam juntos afirmou ela, para justificar por que não ficou surpresa com a operação, mas explicou que a população deve se abalar. Somos uma cidade de interior que se tornou modelo. Até Lula e Dilma vieram aqui. Mas hoje Piraí gira muito em torno dele. Muitas pessoas do seu núcleo ascenderam financeiramente nos últimos anos. Mas as obras da cidade pararam depois que o prefeito atual venceu a eleição, derrotando o candidato de Pezão.