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Em entrevista

Sobre morte de Herzog, Bolsonaro afirma que 'suicídio acontece'

Atos da ditadura militar foram 'pacificados' com Lei da Anistia, diz pré-candidato

Publicado em 07 de Julho de 2018 às 22:49

Redação de A Gazeta

Publicado em 

07 jul 2018 às 22:49
O deputado federal Jair Bolsonaro Crédito: GABRIELA BILO/ESTADÃO
O pré-candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que lamenta a morte de Vladimir Herzog, mas preferiu não admitir que ele foi torturado enquanto estava sob o poder de autoridades militares do DOI/Codi, em São Paulo. Para ele, não há como confirmar que o jornalista foi assassinado por agentes do regime militar e citou a tese de suicídio para justificar sua morte.
— Querem vitimizar em cima da morte do Herzog. Lamento a morte dele. Em que circunstância foi, se foi suicídio ou se morreu torturado. Não estava lá. Suicídio acontece. O pessoal pratica suicídio. Não tínhamos nada, pelo que o Herzog fazia, para dar pancada nele — disse durante o programa "Mariana Godoy Entrevista", da RedeTV, na sexta-feira à noite.
Nessa semana, a Corte Interamericana de Direitos Humanos considerou o Estado brasileiro responsável pela falta de investigação, julgamento e sanção dos responsáveis pela tortura e assassinato do jornalista Vladimir Herzog, em 1975, na época em que trabalhava na TV Cultura. Na época, as autoridades informaram que ele teria se enforcado, mas a versão foi contestada (a altura em que ele estava amarrado à janela era menor do que a sua estatura).
Questionado sobre o posicionamento da corte, Bolsonaro afirmou que a deposição do então presidente João Goulart ocorreu com o apoio amplo da sociedade e que com o início da luta armada, alguns inocentes acabaram morrendo, mas que esses acontecimentos já foram contemplados pela Lei da Anistia.
— Da minha parte, é passado. Tem a Lei da Anistia então está tudo pacificado — afirmou, complementando que esses assuntos só são abordados neste momento porque há a possibilidade de um capitão do exército se tornar presidente.
Bolsonaro afirmou ainda que o Estatuto do Desarmamento, de 2003, que impossibilita o porte de arma, é um dos fatores para o aumento da violência no país. Acrescentou também que é preciso usar mais “energia” no tratamento dado a suspeito de crimes como os de homicídio e que quer acabar com a progressão de pena de condenados.
Sobre sua companha, afirmou que irá participar dos debate e que, na economia, é favorável à redução da burocracia e privatização do que não for estratégico, dando como exemplo o setor de energia e petróleo.
— A geração de energia a gente tem que evitar a todo custo que passe para a mão de terceiros. Não podemos entregar tudo para os outros. Não tem nenhum país no mundo, que eu conheça, com zero de estatal — afirmou.

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