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Tráfico de influência

Servidor denuncia deputada do ES após irmão acessar dados de Bolsonaro

O servidor público estadual André Peçanha Lopes entendeu que o fato de Norma Ayub (DEM-ES) pedir uma audiência com o ministro Sergio Moro para esclarecer os atos praticados pelo irmão caracteriza tráfico de influência

Publicado em 

09 abr 2019 às 13:55

Publicado em 09 de Abril de 2019 às 13:55

Servidor pede ao MPF que Norma Ayub seja investigada por tráfico de influência Crédito: Facebook/Norma Ayub
O Ministério Público Federal do Espírito Santo (MPF-ES) recebeu representação pedindo que a deputada federal Norma Ayub (DEM-ES) seja investigada por tráfico de influência em relação ao episódio envolvendo o irmão dela, Odilon Ayub Alves.
Odilon trabalha na Receita Federal de Cachoeiro e responde a inquérito na Polícia Federal por acessar dados do presidente da República, Jair Bolsonaro.
Após a divulgação do caso, Norma Ayub anunciou que vai pedir uma audiência com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, para esclarecer os atos praticados pelo irmão e explicar que ele "acessou os dados do presidente da República por mera curiosidade.
Mas o servidor público estadual André Peçanha Lopes entendeu que o ato de encontrar-se com o ministro é uma "interferência criminosa no inquérito policial". Por isso, ele ingressou com representação.
"Esse canal privilegiado que Norma Ayub busca junto ao Dr. Sergio Moro, mediante uso indevido do mandato parlamentar de deputada federal, além de via reprovável e ilícita para introduzir qualquer tipo de defesa em favor do irmão investigado, segue distante da isonomia republicana, muito longe pois da realidade dos cidadãos brasileiros e da prática normal das instituições", afirma trecho da ação.
Na representação, o servidor público pede que Norma Ayub seja investigada por tráfico de influência, crime de advocacia administrativa e improbidade administrativa. Além disso, pede que seja informado se dados pessoais dele e de seus familiares na Receita Federal foram acessados pelo irmão da deputada.
A representação foi entregue ao MPF-ES, mas o autor pede que a mesma seja remetida à Procuradoria Geral da República, em Brasília, uma vez que a deputada possui foro privilegiado.
O OUTRO LADO
A deputada Norma Ayub se manifestou por meio de nota divulgada pela assessoria de imprensa. De acordo com a nota, o pedido de investigação foi feito ao MPF por um adversário político da deputada.
"O material enviado pela reportagem é uma denúncia elaborada por um adversário político, sem qualquer fundamento, e por consequência será arquivada. Não há qualquer ilegalidade na sua conduta, vez que agendas públicas entre parlamentares e autoridades do executivo são regulares", diz trecho da nota.
Ainda de acordo com a nota, o objetivo da reunião com o ministro da Justiça é esclarecer que a deputada não tem ligação com o ato do irmão - que acessou dados do presidente da República.
"Ademais nunca foi a sua intenção discutir fatos do processo investigatório em si, que inclusive corre em segredo de justiça, o qual não teve acesso, mas ao contrário, seu objetivo é apenas esclarecer que tais fatos não tem relação com a sua atividade parlamentar e política, já que seu nome foi indevidamente associado ao caso. A parlamentar reitera que deseja que os fatos sejam devidamente apurados, e que cada um responda por seus atos", encerra a nota.
MINISTÉRIO DA JUSTIÇA
O Ministério da Justiça e Segurança Pública foi procurado pela reportagem, mas não informou se o ministro Sergio Moro vai se reunir com a deputada Norma Ayub.

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