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Eleições 2026

Reencontros, bebês e eleitores com mais de 80 anos marcam votação no ES

Histórias de família, nostalgia e participação nas urnas chamaram a atenção neste domingo (4) em locais de votação de Vitória e da Serra

Publicado em 04 de Outubro de 2026 às 18:17

Camila Leão

Publicado em 

04 out 2026 às 18:17

Entre reencontros com antigos colegas de escola, famílias que atravessam gerações nas urnas, bebês de colo e eleitores que fazem questão de votar mesmo depois dos 70 anos, o domingo de eleição também foi marcado por histórias que vão além da disputa eleitoral no Espírito Santo.


No mesmo corredor onde estudaram durante o ensino médio, Arthur Pina e Guilherme Scarpelli se reencontram a cada domingo de eleição. Ex-alunos do Colégio Marista Nossa Senhora da Penha, os dois compartilharam a rotina escolar entre 2014 e 2022 e, neste domingo (4), votaram justamente na sala onde estudaram no ensino médio.


“Só na fila já revi cinco amigos. Deixa o dia de votação mais legal, né?”, conta Guilherme, que admite já ir ao local com a expectativa de encontrar conhecidos. “Acaba ficando mais divertido vir votar, você relembra muita coisa, muita nostalgia. Você vota mais leve, até".


“Vir aqui para mim é nada mais do que fazer o meu dever. Mas, de quebra, viver também essa nostalgia de reencontrar o Marista. Isso aí é a melhor coisa, né?”, diz Arthur. 

No mesmo corredor onde estudaram durante o ensino médio, Arthur Pina e Guilherme Scarpelli se reencontram no domingo de eleições.
No mesmo corredor onde estudaram durante o ensino médio, Arthur Pina e Guilherme Scarpelli se reencontram no domingo de eleições. Foto: Camila Leão

O dia de votação também reuniu quatro gerações de mulheres de uma mesma família. Rachel Pessoa, de 73 anos, foi às urnas acompanhada da neta Maria Luiza, de 4, e se emocionou ao lembrar da própria mãe, que votava nos anos 1960. 


"Naquela época, quando eu era criança, era mais rígido, então eles não deixavam as crianças entrar. Mas a gente ia caminhando de onde morávamos até a escola com a mamãe, que incentivava”, lembra Rachel.


A inspiração de Rachel se repete agora com a filha, Luíze Pessoa, que conta sentir orgulho de levar a própria filha para acompanhar a votação. “É uma memória afetiva e uma memória histórica, né? Porque eu já estou ensinando à minha filha o exercício da cidadania, o direito de escolher e a democracia que prevalece”.  

Três gerações de mulheres votam juntas no Colégio Marista Nossa Senhora da Penha. A avó, Rachel Pessoa (73), votou acompanhada da filha e da neta Maria Luiza, de 4 anos.
A avó, Rachel Pessoa (73), votou acompanhada da filha e da neta Maria Luiza, de 4 anos. Foto: Camila Leão

Em outra seção eleitoral, um objeto deixado sobre a mesa auxiliar chamou a atenlção: a mamadeira de Benjamin, de apenas 3 meses, que acompanhou a mãe, Isabela Dias, no colo. 


O filho mais velho, Benício, de 3 anos, ficou em casa desta vez, mas já havia acompanhado Isabela em eleições anteriores. Segundo ela, os dois filhos são também uma das principais motivações para ir às urnas.


“A gente tem que fazer a nossa parte, para mudar o país e ser melhor para eles também. O voto é para a gente e, consequentemente, para eles também”, afirma.


Enquanto os mais novos acompanham os familiares e começam a conhecer a rotina de uma eleição, outros eleitores continuam fazendo questão de votar mesmo quando já não são obrigados. No Brasil, o voto é obrigatório dos 18 aos 69 anos e facultativo para maiores de 70, além de jovens de 16 e 17 anos. 

Os aposentados Conceição Benevides, de 84 anos, e Irineu Benevides, de 89, foram votar em faculdade de Vitória
Os aposentados Conceição Benevides, de 84 anos, e Irineu Benevides, de 89, foram votar em uma faculdade de Vitória Foto: Guilherme Marques

Os aposentados Conceição Benevides, de 84 anos, e Irineu Benevides, de 89, estão entre os que escolheram continuar indo às urnas. Casados, eleitores de Santa Lúcia contam que nunca deixaram de votar desde que chegaram à idade eleitoral. "Eu tenho que votar, não tô morta ainda", brinca Conceição, bem-humorada.


Também com voto facultativo, Erinéa de Souza Rangel, de 78 anos, foi às urnas na Serra acompanhada da filha, a professora Eriadnes de Souza. As duas foram as últimas eleitoras a deixar o local de votação, que guarda um significado especial para a família: mãe e filha estudaram na escola do bairro onde moram. 

As últimas eleitoras a deixar a EEEFM Aristóbulo Barbosa Leão, no bairro Pa.e Residencial Laranjeiras, na Serra
Erinéa e Eriadnes foram as últimas eleitoras a deixar a EEEFM Aristóbulo Barbosa Leão, no bairro Parque Residencial Laranjeiras, na Serra Foto: Rafaela Gomes

Já Adriana de Paula foi às urnas logo cedo e garante que pretende manter o hábito por muitos anos. Aos 58, a autônoma ainda tem mais de uma década de voto obrigatório pela frente, mas diz que pretende continuar comparecendo mesmo depois dos 70. 


“Durante a votação eu me emocionei. Ter o direito de escolher o nosso próximo representante não tem preço”, contam já sentada à mesa de um bar para onde foi logo depois de votar. “Comemorar que o meu direito foi exercido e que seguirá sendo nos próximos anos”.

Centro de Vitória, Adriana de Paula Oliveira, autônoma de 58 anos
Adriana de Paula Oliveira, autônoma de 58 anos, foi tomar uma cervejinha após exercer o seu direito de votar Foto: Tiago Taam

*Este conteúdo foi produzido por Camila Leão, residente do 29º Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta, sob orientação de Erik Oakes.

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