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Quem é o novo conselheiro do TCES que vai ganhar R$ 35 mil por mês

Luiz Carlos Ciciliotti era presidente do PSB, mesmo partido do governador Renato Casagrande; conheça a trajetória que o levou ao cargo no Tribunal de Contas do ES

Publicado em 20 de Fevereiro de 2019 às 03:00

Vinícius Valfré

Publicado em 

20 fev 2019 às 03:00
Filiado há mais de 32 anos ao PSB - partido que presidia até a última segunda-feira (18) -, Luiz Carlos Ciciliotti foi eleito nesta terça-feira (19) como novo conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCES), com 27 dos 30 votos dos deputados estaduais. As mais de três décadas de militância partidária expressam quem é o ex-dirigente, quem são os principais aliados dele e como ele chegou ao cargo que rende um salário bruto de R$ 35,4 mil por mês.
No tribunal, Ciciliotti terá a tarefa de julgar contas dos ordenadores de despesas (como o governador do Estado) e cuidar da lisura do gasto público.
Luiz Carlos Ciciliotti Crédito: Facebook/PSB ES
A Constituição estadual exige que os indicados ao cargo de conselheiro do TCES tenham mais de 35 e menos de 65 anos, idade que o ex-dirigente vai completar em 12 de agosto. Como outra vaga no tribunal não deve ser aberta dentro de seis meses, essa foi a última oportunidade que Ciciliotti teve na vida para se tornar conselheiro do TCES.
Poderá ficar no cargo até os 75 anos, quando a aposentadoria é compulsória. Logo, tem dez anos de serviço pela frente. Ignorando extras, férias, e outros penduricalhos, uma "conta de padaria" aponta que o período no novo emprego vai render a ele mais de R$ 4,2 milhões.
A ideia de transformar Ciciliotti em conselheiro começou a ser gerida ainda na transição para o atual governo do Estado. O ex-dirigente partidário foi propositalmente acolhido no discreto cargo de assessor especial da Secretaria de Governo (SEG), em vez de ser colocado à frente de alguma secretaria ou autarquia. Na gestão anterior de Renato Casagrande (PSB), Ciciliotti chegou a ser o secretário-chefe da Casa Civil.
Embora a indicação para a vaga que era de Valci Ferreira fosse da Assembleia Legislativa, interlocutores do Palácio Anchieta e o próprio governador Renato Casagrande (PSB), segundo relatos de deputados, trabalharam para convencer os parlamentares a votar em Ciciliotti. Ele é querido por membros do PSB e homem da estrita confiança do governador.
EXPERIÊNCIA ELEITORAL
A única experiência eleitoral de Ciciliotti foi em 2002. Ele foi um dos suplentes do candidato que o PSB lançou ao Senado, Odmar Nascimento. O outro suplente era Carlos Roberto Rafael, que assumiu o comando do partido com a renúncia de Ciciliotti, necessária para a posse no Tribunal de Contas. Na eleição, tiveram 1% dos votos.
O trio conserva uma amizade de décadas. Todos estão acomodados no governo Casagrande, que é o líder maior do partido no Espírito Santo. Coordenador da Fundação João Mangabeira no Estado, a entidade de formação política do PSB, Odmar também é assessor da SEG. Rafael é o diretor-presidente da Ceasa.
FORMAÇÃO
Ciciliotti é farmacêutico por formação e foi no Conselho Regional de Farmácia que iniciou sua vida pública. Foram dois mandatos à frente da entidade. Também foi coordenador da Secretaria Estadual de Saúde, subsecretário da pasta e titular dela por um período. Também foi coordenador da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e diretor-técnico do Bandes e da Companhia de Desenvolvimento de Vitória.
Em entrevista ao Gazeta Online, Ciciliotti admitiu que vai ter que "estudar um pouco" para o cargo que agora vai ocupar.
COMPOSIÇÃO DO TRIBUNAL
Com a chegada de Ciciliotti, quatro dos sete conselheiros que compõem o Tribunal de Contas do Espírito Santo foram indicados ou apoiados por Renato Casagrande (Domingos Taufner, Rodrigo Chamoun e Sérgio Borges).
Os outros três (Sérgio Aboudib, Carlos Ranna e Rodrigo Coelho) foram indicados ou apoiados pelo ex-governador Paulo Hartung (sem partido).

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