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Lava Jato

Palocci: Lula recebeu dinheiro vivo de propina da Odebrecht

Palocci diz que Lula não pagou por tríplex porque apartamento na praia sujaria sua biografia

Publicado em 18 de Janeiro de 2019 às 20:30

Publicado em 

18 jan 2019 às 20:30
Palocci diz que Lula não pagou por tríplex porque apartamento na praia sujaria sua biografia Crédito: Arquivo

Em novos depoimentos de sua delação premiada, o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não quis pagar pelo tríplex no Guarujá, no (SP) com seus próprios recursos porque um “apartamento na praia” sujaria sua biografia. Palocci disse que, durante a evolução da Operação Lava Jato, perguntou a Lula sobre o assunto:

— Por que você não pega o dinheiro de uma palestra e paga o seu tríplex?

Segundo Palocci, Lula lhe respondeu da seguinte forma:

— Um apartamento na praia não cabe em minha biografia.

O tríplex foi a razão da condenação de Lula, em segunda instância, a 12 anos e um mês de prisão, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele é acusado de receber o apartamento da empreiteira OAS, como retribuição pelo esquema de corrupção da Petrobras. A defesa do ex-presidente nega que o apartamento tenha sido destinado a ele.

O ex-ministro deu novos detalhes que implicam o ex-presidente petista, afirmando que “a única preocupação de Lula era preservar sua própria imagem, afastando-se deliberadamente dos momentos de ilicitudes e sistematicamente construindo versões que o isentavam de qualquer malfeito”.

CAIXAS DE CELULAR E WHISKY

Palocci também disse que houve entregas de dinheiro em espécie para Lula, retirados por seu assessor Branislav Kontic na Odebrecht.

“Também se recorda que, dos recursos em espécie recebidos da Odebrecht e retirados por Branislav Kontic, levou em oportunidades diversas cerca de trinta, quarenta, cinqüenta e oitenta mil reais em espécie para o próprio Lula; que esses valores eram demandados pelo próprio Lula com a orientação dada por ele de que não devia o colaborador comentar os pedidos com Paulo Okamotto nem com ninguém”, afirmou o ex-ministro, detalhando informações que já havia dividido anteriormente com os investigadores, durante o processo de negociação para a colaboração premiada.

No depoimento, o ex-responsável pela Fazenda destacou que os pagamentos a Lula envolveram, inclusive, um encontro no avião da presidência da República e que chegou a repassar dinheiro dentro de caixas de celular e de whisky.

“Se recorda que levou valores a Lula em Brasília/DF; que levou valores em espécie a Lula em diversas vezes em São Paulo/SP; que já levou valores em espécie para Lula dentro da aeronave presidencial; que era apenas o colaborador a levar pessoalmente recursos a Lula, entregues em suas mãos; que indagado se existem testemunhas dessas entregas, respondeu que em determinada oportunidade levou 50 mil reais em espécies a Lula no Terminal da Aeronáutica em Brasília/DF, durante a campanha de 2010, dentro de uma caixa de celular na frente do motorista do colaborador, cujo nome era Cláudio Gouveia”, relatou. Palocci prosseguiu: “Em São Paulo, recorda-se de episódio de quando levou dinheiro em espécie a Lula dentro de caixa de whisky até o Aeroporto de Congonhas, sendo que no caminho até o local recebeu constantes chamadas telefônicas de Lula cobrando a entrega”.

RUPTURA COM DILMA

Palocci relatou ainda o processo de ruptura entre a ex-presidente Dilma Rousseff e o seu antecessor, afirmando que Dilma tomou decisões que retiravam o acesso de Lula a fontes de financiamento eleitoral. Uma dessas decisões foi despedir José Sérgio Gabrielli da presidência da Petrobras. “Durante o crescimento da Operação Lava-Jato, Dilma deu corda para o aprofundamento das investigações, uma vez que isso sufocaria e implicaria Lula”, disse Palocci.

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