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Berlim

Filme sobre bastidores do impeachment de Dilma Rousseff é aplaudido

'O processo' lotou exibição na mostra paralela Panorama, fora de competição, e contou com cineastas brasileiros na plateia

Publicado em 21 de Fevereiro de 2018 às 22:26

Publicado em 

21 fev 2018 às 22:26
No documentário, a cineasta acompanha bastidores do movimento que levou ao impeachment da ex-presidente, entre abril e agosto de 2016. Crédito: Divulgação | Dilma Rousseff
Precedida por um protesto em apoio a Lula e Dilma Rousseff, realizada por brasileiros moradores de Berlim, a exibição de "O processo", de Maria Augusta Ramos, motivou aplausos ao fim da sessão e reações apaixonadas ao longo dela.
A sessão estava lotada, com boa parte da plateia formada por brasileiros, inclusive cineastas que também estão com filmes selecionados no festival, como Karim Aïnouz e Luiz Bolognesi.
No documentário, a cineasta acompanha bastidores do movimento que levou ao impeachment da ex-presidente, entre abril e agosto de 2016.
O documentário de Maria Augusta mostra como a equipe que defendeu Dilma, acusada de maquiar as contas públicas, preparou sua estratégia e lutou até o final, apesar de estar cada vez mais consciente de que a destituição, apoiada pela oposição, seria inevitável.
Sem voz em "off" nem entrevistas, o documentário de mais de duas horas de duração mostra, além disso, as conversas de corredor, os encontros de dirigentes políticos, assim como os momentos de tensão nos bastidores e nas ruas, sintoma do clima de polarização que tomou conta dos brasileiros.
Artífices da defesa ante à comissão especial que conduziu o processo de impeachment' o advogado José Eduardo Cardozo e a senadora Gleisi Hoffmann, que é a atual presidente do PT, se transformam assim em protagonistas de um documentário em que Dilma é onipresente, mesmo que seja apenas mostrada falando à imprensa ou fazendo pronunciamentos.
"Faço filmes para entender a realidade", afirmou Maria Augusta à AFP. "O que estava acontecendo no Brasil me preocupava muito."
Maria Augusta explica que a defesa de Dilma concedeu um amplo acesso ao processo. "Conheciam meu trabalho e confiavam em mim. Houve poucas exceções por parte de alguns senadores que optaram por deixar uma reunião quando eu entrava com a câmara", explica a cineasta, enfatizando que a oposição preferia não se deixar filmar.
Ela assegura, no entanto, que a todo momento pôde trabalhar com independência total.
 
No ano passado, também em Berlim, vários cineastas brasileiros alertaram para a suposta ameaça que representava para a cultura o governo de Michel Temer, que, como vice de Dilma, assumiu a presidência.
Cerca de 300 personalidades do audiovisual brasileiro pediram, em uma declaração, o apoio dos representantes do cinema internacional, da mesma forma que, meses antes, a equipe do filme "Aquarius", dirigido por Kleber Mendonça Filho, havia denunciado no tapete vermelho do Festival de Cannes o que consideravam um golpe de Estado.
 
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