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Daniel Silveira é um deles

Deputados usam cachorros para atrapalhar ato por Marielle na Câmara

Oito deputados federais, entre eles Daniel Silveira (PSL-RJ), que rasgou a placa com o nome de Marielle, posicionaram-se a poucos metros com caixas de som que emitiam latidos

Publicado em 14 de Março de 2019 às 17:37

Publicado em 

14 mar 2019 às 17:37
Deputados usam cachorros para atrapalhar ato por Marielle na Câmara Crédito: Reprodução

Dez minutos depois de deputados do PSOL e outros partidos de esquerda começarem um ato em homenagem a Marielle Franco, colegas de direita entraram no mesmo Salão Verde da Câmara para protestar contra a violência animal.

Oito deputados federais, entre eles Daniel Silveira (PSL-RJ), que rasgou a placa com o nome de Marielle, posicionaram-se a poucos metros com caixas de som que emitiam latidos.

"Lugar de bandido é na cadeia. O que nós queremos é o fim da impunidade", disse Fred Costa (Patriota-MG), que organizou o ato, segundo ele, na véspera. "Vamos fazer um minuto de silêncio por todos os animais que lamentavelmente são maltratados ou sacrificados."

Nesta quinta-feira (14), a execução da vereadora carioca Marielle (PSOL) e do seu motorista Anderson Gomes completa um ano. Na terça (12), dois suspeitos de executar o crime foram presos. A polícia ainda investiga o eventual mandante.

No mesmo dia, o PSOL marcou o ato no Salão Verde e o divulgou em redes sociais e na Câmara.

"Não existe milícia sem Estado. O Estado tem sangue nas mãos", discursou a deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ), amiga e aliada de Marielle.

"Isso é importante dizer porque a milícia domina território, dá cinco tiros na cabeça de jovem no Rio de Janeiro e tem poder econômico, político e armado", prosseguiu. "O Estado brasileiro precisa devolver ao povo a possibilidade de lutar pelo aprofundamento da democracia."

Alguns manifestantes choravam. Faixas com o busto da vereadora e a pergunta: "Quem mandou matar Marielle?" foram erguidos.

Os cachorros às vezes incomodam, declarou Daniel Silveira logo ao lado, "mas no segundo seguinte estão abanando o rabo, por isso não tem por que você maltratar um animal".

O deputado ficou conhecido pela foto com o hoje governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), em que rasgam a placa de rua com o nome de Marielle em meio aos protestos contra o seu assassinato, no ano passado.

"Eu nem sabia da homenagem à Marielle", disse, negando motivos para constrangimento. "Na verdade eu me senti incomodado porque eu sabia que eles iam distorcer o fato dos latidos como se estivéssemos zombando deles."

Os apoiadores de Marielle em nenhum momento se dirigiram aos manifestantes contra violência animal e vice-versa.

Procurado pela reportagem, o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) comentou a sobreposição de protestos.

"Uma provocação inútil, que mostra que eles não estão aguentando as investigações chegarem perto deles e as milícias próximas ao partido dele", afirmou.

"Não conseguem inibir a grandeza do ato de um ano do assassinato da Marielle. Rottweilers também latem."

"Vivam os animais!", encerraram os deputados ao lado, sorrindo. Segundo Fred Costa, o ato foi marcado porque 14 de março é dia nacional dos maus-tratos.

"Você vai me desculpar. Querer polemizar que estamos querendo desmerecer a morte de alguém [não aceito], mesmo porque não atrapalhamos em nada", afirmou o deputado.

"Queremos inclusive que seja apurado qualquer caso de assassinato a parlamentar ou não parlamentar e de maus-tratos a animais também. Somos contrários à violência ."

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