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Exonerado

Demissão de Carlos Manato azeda clima entre PSL e ministro de Bolsonaro

Na avaliação de integrantes do partido de Bolsonaro, a dispensa foi injusta" e terá consequências negativas para o Palácio do Planalto

Publicado em 11 de Junho de 2019 às 17:27

Publicado em 

11 jun 2019 às 17:27
Manato entrega panfletos a manifestantes durante ato pró-Bolsonaro Crédito: Rafael Silva - 21/10/2018
A demissão do ex-deputado Carlos Manato (PSL-ES) do comando da Secretaria Especial para a Câmara provocou revolta na cúpula do PSL e azedou as relações entre o partido do presidente Jair Bolsonaro e o DEM. Irritados, parlamentares do PSL criticaram duramente o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, por dispensar Manato e nomear o também ex-deputado Abelardo Lupion para o cargo, que cuida das negociações políticas com a Câmara.
Manato é filiado ao PSL e Lupion, ao DEM, mesma sigla de Onyx. Na avaliação de integrantes do partido de Bolsonaro, a dispensa - que ocorreu na sexta-feira passada, por telefone - foi "injusta" e terá consequências negativas para o Palácio do Planalto.
Além do desligamento de Manato, o Diário Oficial da União publicou nesta segunda-feira (10) as exonerações "a pedido" de outros quatro ex-deputados que atuavam com ele na secretaria. Um deles, Victório Galli Filho, também é do PSL.
"Se a articulação política do governo Bolsonaro está ruim, quem tem de ser demitido é o ministro, e não os assessores", afirmou o líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (GO). "Esperamos que o presidente (Bolsonaro) tome um lado nessa situação porque, se ele não se manifestar, nós vamos tomar providências, que serão duras", emendou o deputado, sem adiantar a estratégia planejada.
Manato entrega panfletos a manifestantes durante ato pró-Bolsonaro Crédito: Rafael Silva - 21/10/2018
O líder do PSL afirmou, ainda, que Onyx estava "olhando para o próprio umbigo" quando trocou Manato por Lupion. Compadre do ministro, Lupion já atuava na Casa Civil desde janeiro, mas apenas como assessor especial. "Para mim, o ministro agiu com covardia, humilhando e abandonando soldados de primeira hora", criticou Delegado Waldir, ao lembrar que Manato só entrou no PSL - e foi candidato ao governo do Espírito Santo, em 2018 - a pedido de Bolsonaro.
Presidente estadual do PSL, Manato não quis esticar a polêmica e tentou amenizar a crise. Afirmou que já havia combinado com Onyx sua saída por estar "sobrecarregado" e observou não ter intenção de criar estresse para o Planalto. "Eu já estava com prazo de validade vencido", disse ele ao jornal "O Estado de S. Paulo". "Não tenho raiva de ninguém", emendou.
Ao Gazeta Online, Manato disse, na sexta-feira (7), que teria recebido um convite do ministro da Educação, Abraham Weintraub, para assumir um cargo na pasta.
Nesta segunda-feira (10), o ex-deputado reiterou à reportagem do Gazeta Online que o convite do ministro havia sido reforçado. "Ele disse que se eu quisesse ir, estaria à disposição. Seria para a assessoria parlamentar. Agradeci o carinho, a gentileza, e disse que preciso de uns dias para pensar a respeito", afirmou.
SEM BASE
Encarregado de ajudar o governo a formar uma base aliada no Congresso - e a angariar apoio para a aprovação da reforma da Previdência -, o ex-deputado despachava no mínimo duas vezes por semana no gabinete da liderança do PSL. Foi para lá porque o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), se recusou a ceder uma sala à Casa Civil.
O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni Crédito: Antonio Cruz/ Agência Brasil
Em março, com a ajuda da Controladoria Geral da União (CGU), o governo chegou a criar uma plataforma, batizada no Planalto de "banco de talentos", na qual parlamentares podiam fazer indicações para vagas do segundo escalão. A última palavra, no entanto, sempre foi dos ministros.
Nos bastidores, deputados afirmam que Manato caiu por se desentender com Onyx a respeito de nomeações do PSL, que estavam emperradas. Até hoje o governo não tem uma base de sustentação no Congresso.
"O problema não é de cargos. O que não aceitamos é a falta de lealdade do ministro, que, na primeira substituição, tira o PSL para colocar alguém do DEM", reclamou Delegado Waldir.
Onyx também dispensou, em fevereiro, o ex-deputado Leonardo Quintão (MDB-MG), então responsável pela Subchefia de Assuntos Parlamentares da Casa Civil. Antes, Quintão já havia sido chamado para ajudar na articulação política com o Senado, mas trombou com Renan Calheiros (MDB-AL). Procurado, Onyx não quis se manifestar sobre o anúncio das trocas.

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