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Encontro

Bolsonaro se reunirá com Xi Jinping no Japão antes do início do G20

A China é o principal parceiro comercial do Brasil e foi destino de 27% das exportações brasileiras entre janeiro e maio deste ano, somando US$ 25 bilhões

Publicado em 25 de Junho de 2019 às 02:03

Publicado em 

25 jun 2019 às 02:03
Antes de estrear na cúpula de líderes do G20 em Osaka, no Japão, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) terá um encontro bilateral com o dirigente chinês Xi Jinping na próxima sexta-feira (28).
Na conversa, Bolsonaro vai falar sobre a agricultura brasileira e seu desejo de que o Brasil passe a exportar produtos de maior valor agregado ao país asiático. Hoje o comércio é fortemente baseado na venda de commodities brasileiras aos chineses.
A China é o principal parceiro comercial do Brasil e foi destino de 27% das exportações brasileiras entre janeiro e maio deste ano, somando US$ 25 bilhões.
Bolsonaro e Xi devem tratar de visitas de ambos aos países parceiros. O brasileiro tem viagem oficial prevista para a China em agosto, e o chinês deve ir ao Brasil em novembro, para participar da Cúpula dos Brics.
Esta será a primeira participação de Bolsonaro em uma reunião da cúpula do G20. Além da bilateral com Xi, ele tinha anunciado um encontro com o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, que não consta nos compromissos divulgados pelo Palácio do Planalto.
De acordo com informações da Presidência, Bolsonaro deve se reunir ainda com os primeiro-ministros de Singapura, Lee Hsien-Loong e da Índia, Narendra Modi.
A agenda do brasileiro ainda inclui um encontro com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, que enfrenta um isolamento internacional desde que foi acusado de envolvimento no assassinato de Jamal Khashoggi, jornalista daquele país que escrevia para o jornal americano The Washington Post.
O encontro com o líder chinês é uma mudança de postura do presidente brasileiro que, durante a campanha, dizia que a China "estava comprando o Brasil".
No caso do herdeiro saudita, é uma tentativa do governo Bolsonaro se aproximar do mundo árabe depois de ter se alinhado fortemente com Israel.
Em maio, a ministra Tereza Cristina (Agricultura) viajou à China para tratar das relações comerciais com os asiáticos.
Em viagem a Roma na última semana, ela apoiou a candidatura do vice-ministro da Agricultura da China, Qu Dongyu, recém-eleito diretor da FAO.
Também em maio, o vice-presidente, general Hamilton Mourão, viajou a Pequim para participar da reunião da Cosban (Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação).
Durante o encontro, ao lado do vice-dirigente chinês, Wang Qishan, ele discutiu temas como fabricação e venda de aviões da Embraer para os chineses e de produtos de frigoríficos brasileiros.
Mourão também se encontrou com o presidente-executivo da Huawei, Ren Zhengfei, e disse que o Brasil não pretende restringir as atividades da empresa chinesa.
A instalação de redes 5G da Huawei foi vetada nos EUA pelo presidente Donald Trump, sob a acusação de espionagem. Os americanos vêm pressionando países aliados a adotar postura semelhante.
Apesar da mudança de postura de Bolsonaro, uma maior aproximação com a China não é consenso em seu governo.
Em entrevista recente à revista Veja, o chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, disse que o tema da Huawei no Brasil "ainda está sob análise", destoando do tom adotado por Mourão.
Ernesto e o escritor Olavo de Carvalho, influente no governo Bolsonaro, são contrários a uma maior aproximação com o país asiático e defendem que o Brasil se mantenha ao lado dos EUA na guerra comercial travada entre eles.
A necessidade de reduzir a co-dependência com o gigante asiático foi um dos principais assuntos do jantar realizado para o presidente Jair Bolsonaro durante visita a Washington, em março.
A reunião de cúpula do G20, que tem início na sexta (28), terá como pano de fundo novos desdobramentos da guerra comercial entre EUA e China diante da expectativa do resultado do encontro entre Xi e Trump que deve ocorrer no Japão.

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