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Após nomear PGR

Bolsonaro pede que eleitores apaguem críticas contra ele

Em live semanal, ele afirmou que 20% dos comentários feitos na transmissão online foram contra o indicado para substituir a procuradora-geral da República Raquel Dodge, entre eles de que "acabou a esperança" dos eleitores na atual gestão

Publicado em 06 de Setembro de 2019 às 09:32

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06 set 2019 às 09:32
Presidente defendeu indicação de Augusto Aras para a PGR Crédito: Antonio Cruz/Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) se incomodou nesta quinta-feira (5) com as críticas à escolha do subprocurador-geral Augusto Aras para o comando da Procuradoria-Geral da República (PGR) e fez um apelo para que simpatizantes do governo apaguem comentários feitos nas redes sociais contra ele.

Em live semanal, ele afirmou que 20% dos comentários feitos na transmissão online foram contra o indicado para substituir a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, entre eles de que "acabou a esperança" dos eleitores na atual gestão.

"Eu peço a vocês. No Facebook, você fez um comentário pesado, retira, dá uma chance para mim. Você acha que eu quero colocar alguém lá para atrapalhar a vida de vocês? Não quero", disse.

O presidente afirmou que sofreria ataques por qualquer nome que indicasse e ressaltou que deve lealdade ao povo, mas que ela não pode ser "cega". Ele pediu que continuem dando voto de confiança ao seu governo e parem de "metralhar a gente".

"Peço a vocês um voto de confiança. Se lá na frente não satisfizer, paciência, A gente assume o erro", disse. "Dá uma chance a mim. Você que votou em mim, continue dando voto de confiança, não queira apenas metralhar a gente", observou.

Bolsonaro disse que Aras tem "posição serena" e sinalizou que ele é afinado a ele em temas como meio ambiente, defendendo a atividade do agronegócio, e direitos de grupos minoritários, como a comunidade LGBT.

"O compromisso que ele tem conosco e com o Brasil é bem claro. Não basta apenas ter alguém que combata a corrupção. Tem também de ser sensível a outras questões", disse.

Mais cedo, a apoiadores na frente do Palácio da Alvorada, Bolsonaro comparou a escolha de Aras a um "casamento".

"Outros nomes também apareceram. Eu tinha um universo ali de poucos para escolher. Eu acho que dei sorte, acho que escolhi o melhor, que estou fazendo um bom casamento. Na frente do padre que é o Senado, para aprovar o nome dele", afirmou.

DIVÓRCIO

O presidente ponderou, no entanto, que, caso seja aprovado pelo Senado, Aras não deve obediência ao Palácio do Planalto e pode "se divorciar" do Poder Executivo, já que, segundo ele, o subprocurador-geral não deve satisfação a Bolsonaro.

"A partir da aprovação no Senado, se ele quiser, a partir daquele momento, pode se declarar divorciado de mim. Ele não deve satisfação a mim, deve à sociedade", afirmou. "Eu quero do futuro procurador-geral alguém que tenha a bandeira do Brasil em uma mão e a Constituição Federal na outra mão", acrescentou.

Ainda para os apoiadores na frente do Alvorada, Bolsonaro citou pressão recebida pela indicação de outros nomes à PGR, como a recondução de Raquel Dodge ao posto ou a do chefe da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol. O presidente rechaçou ambas.

Na live semanal, Bolsonaro disse que o apresentador e dono do SBT, Silvio Santos, e o bispo e dono da Record, Edir Macedo, comparecerão ao camarote do presidente no desfile de Sete de Setembro na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.

O presidente já havia escolhido Aras desde o final de junho. Ele optou, no entanto, por segurar o anúncio para arrefecer as críticas ao subprocurador-geral, sobretudo dentro de seu próprio partido, o PSL, que o acusavam de ter afinidade com a esquerda.

No período, Bolsonaro enviou interlocutores ao Congresso Nacional para falar individualmente com líderes de frentes parlamentares na tentativa de diminuir a resistência a uma indicação de Aras.

Nesta quinta, antes do anúncio oficial, o presidente consultou sobre a escolha representantes das bancadas evangélica, do agronegócio e da segurança pública, consideradas os pilares de seu governo. 

Segundo relatos feitos à reportagem, não houve maiores resistências.

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