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Bolsonaro omite de discurso trecho que falava em reduzir desigualdade

A versão original do texto, distribuída pela assessoria da equipe de transição do novo governo, afirmava que investimentos em educação poderiam atenuar as diferenças entre ricos e pobres no país

Publicado em 02/01/2019 às 22h08
Presidente Jair Bolsonaro e o vice-presidente Hamilton Mourão exibem uma bandeira nacional durante discurso no parlatório do Palácio do Planalto. Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Presidente Jair Bolsonaro e o vice-presidente Hamilton Mourão exibem uma bandeira nacional durante discurso no parlatório do Palácio do Planalto. Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Em seu segundo discurso na cerimônia de posse de terça-feira (1º), no parlatório do Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro omitiu um trecho que fazia referência à redução da desigualdade social.

A versão original do texto, distribuída pela assessoria da equipe de transição do novo governo, afirmava que investimentos em educação poderiam atenuar as diferenças entre ricos e pobres no país.

"Pela primeira vez, o Brasil irá priorizar a educação básica, que é a que realmente transforma o presente e o futuro de nossos filhos e netos, diminuindo a desigualdade social", dizia o texto divulgado inicialmente.

Do alto do parlatório, Bolsonaro interrompeu a frase na metade. Falou sobre a educação e o futuro, mas não mencionou a desigualdade.

"Pela primeira vez, o Brasil irá priorizar a educação básica, que é a que realmente transforma o presente e faz o futuro de nossos filhos", declarou o presidente.

Bolsonaro leu o discurso no parlatório em papel. À exceção desse trecho, o presidente desviou poucas vezes do script e reproduziu textualmente quase todo o restante.

Nos dois pronunciamentos de terça, Bolsonaro não fez menção à pobreza e ao papel do governo no combate a desigualdades sociais. Disse apenas que o brasileiro pode sonhar com melhores condições "para usufruir do fruto do seu trabalho pela meritocracia".

Auxiliares de Bolsonaro afirmam que o corte do trecho que mencionava a desigualdade social foi apenas um lapso e que, portanto, a omissão não foi planejada.

Segundo o general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, o presidente não fez nenhuma alteração no texto antes de subir ao parlatório.

"Ele deve ter pulado, até porque seria bom fazer referência à desigualdade", disse. "Não é fácil ler discurso assim. De repente, as letras começam a se embaralhar", brincou.

Heleno foi um dos principais responsáveis pela elaboração dos discursos de posse. O presidente também foi auxiliado por seus filhos.

Além do trecho sobre desigualdades, Bolsonaro teve dois momentos de improviso. O mais emblemático foi o encerramento, quando pegou uma bandeira do Brasil e repetiu um lema antipetista que seus apoiadores exploraram durante a campanha.

"Essa é a nossa bandeira, que jamais será vermelha. Só será vermelha se for preciso o nosso sangue para mantê-la verde e amarela", afirmou. A frase não fazia parte do discurso redigido antes da posse.

Ao abrir o pronunciamento, Bolsonaro também se afastou do roteiro para fazer referência ao atentado a faca que sofreu durante a corrida presidencial, em setembro.

"Isso só está sendo possível porque Deus preservou a minha vida. E vocês acreditaram em mim. Juntos temos como fazer o Brasil ocupar o lugar de destaque que ele merece no mundo e trazer paz e prosperidade para o nosso povo", disse.

O general Augusto Heleno afirmou que os dois trechos realmente não estavam previstos e que Bolsonaro tem o hábito de improvisar.

"Ninguém imaginava, ao fim do discurso, que ele poderia ter ali uma bandeira do Brasil para falar aquilo", declarou.

O primeiro discurso de Bolsonaro depois da posse, nesta quarta (2), foi improvisado. Ele falou na cerimônia de transmissão de cargo ao novo ministro da Defesa, general Fernando de Azevedo e Silva.

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