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Após caso Moro x Dallagnol

Bolsonaro mantém silêncio sobre mensagens e condecora Moro em evento

Os dois conversaram por cerca de 20 minutos no Palácio da Alvorada e de lá partiram juntos num barco para cerimônia da Marinha, onde o ex-juiz foi condecorado pelo presidente

Publicado em 11 de Junho de 2019 às 17:59

Publicado em 

11 jun 2019 às 17:59
Bolsonaro mantém silêncio sobre mensagens e condecora Moro em evento Crédito: Antonio Cruz/Agência Brasil | Arquivo

Após se reunirem pela primeira vez desde que o ministro Sergio Moro (Justiça) teve mensagens vazadas, ele e o presidente Jair Bolsonaro (PSL) mantiveram silêncio nesta terça-feira (11).

Os dois conversaram por cerca de 20 minutos no Palácio da Alvorada e de lá partiram juntos num barco para cerimônia da Marinha, onde o ex-juiz foi condecorado pelo presidente.

A conversa entre eles não estava prevista inicialmente nas agendas públicas e durou cerca de 20 minutos.

O Ministério da Justiça se manifestou só por meio de nota, dizendo que Moro e Bolsonaro tiveram uma conversa "tranquila" sobre "a invasão criminosa" de celulares de juízes, procuradores e jornalistas.

Segundo o texto enviado pela assessoria de imprensa, "o ministro rechaçou a divulgação de possíveis conversas privadas obtidas por meio ilegal e explicou que a Polícia Federal está investigando a invasão criminosa".

"A conversa foi bastante tranquila. O ministro fez todas as ponderações ao presidente, que entendeu as questões que envolvem o caso", afirmou a equipe de comunicação de Moro.

Bolsonaro vem mantendo distanciamento sobre o vazamento de uma troca de mensagens entre Moro e o procurador da República Deltan Dallagnol, quando ambos atuavam na Operação Lava Jato. O conteúdo, divulgado no domingo (9) pelo site The Intercept Brasil, mostra uma troca de colaborações entre eles.

O presidente mantém silêncio enquanto seus filhos e alguns de seus ministros falam em "ação orquestrada" contra Moro e ataque à Lava Jato.

O ministro permaneceu ao lado de Bolsonaro durante quase uma hora, enquanto participavam da comemoração aos 154 anos da batalha do Riachuelo. Na saída, os dois evitaram falar com a imprensa.

Após a cerimônia, Moro foi do evento ao Congresso almoçar com parlamentares de centro, filiados a legendas como DEM (6), PL (ex-PR) (2) e PSC (1).

O ex-juiz chegou minutos antes do horário previsto, 13h, e, cercado por seguranças entrou no gabinete dizendo que não faria comentários.

O momento é delicado para o ministro no Legislativo. Já foram apresentados requerimentos de convocação para que ele preste esclarecimentos e parte da oposição quer abrir uma CPI (comissão parlamentar de inquérito).

A instalação da CPI, no entanto, não é consenso. Senadores do PT dizem que preferem esperar o que mais vai aparecer e, além disso, querem focar em outra comissão que deve ser criada para apurar fake news nas eleições de 2018.

Na segunda (10), o porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros, descartou a possibilidade de demissão de Moro do Ministério da Justiça.

"Jamais foi tocado nesse assunto", afirmou ao ser questionado sobre a possibilidade de Moro deixar o cargo.

Rêgo Barros disse que o presidente não comentaria o vazamento de mensagens e que ele aguardava a apresentação de explicações do ministro sobre o episódio.

Ainda não há confirmação de que Bolsonaro vá se pronunciar publicamente sobre o caso, mas auxiliares trabalham na construção de uma nota.

O presidente passa o dia em São Paulo onde tem encontro com o governador João Doria e participa de eventos da Fiesp (Federação da Indústria do estado de São Paulo).

Moro passou a segunda em Manaus (AM) em viagem a trabalho. No Norte do país, o ex-juiz da Lava Jato disse "não ter visto nada demais" no conteúdo de sua conversa com o procurador.

Segundo o porta-voz, Bolsonaro conversou por telefone com Moro na segunda, mas afirmou "desconhecer" se o presidente leu as matérias que relatam a troca de conversas entre Moro e Deltan.

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