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Investigação

Padrasto e mãe de criança encontrada morta em Cachoeiro são presos

O laudo aponta que o menino foi morto por asfixia mecânica

Publicado em 07 de Novembro de 2018 às 18:48

Redação de A Gazeta

Publicado em 

07 nov 2018 às 18:48
Tamires dos Santos Ferreira, de 31 anos, e Giuliano do Santos Fonseca, de 46 anos Crédito: Divulgação | Polícia Civil
O padrasto e a mãe de uma criança que foi encontrada morta dentro de casa em Cachoeiro de Itapemirim, Sul do Espírito Santo, foram detidos na manhã desta quarta-feira (7) no Distrito de Guiomar, zona rural de Vargem Alta. De acordo com o delegado Felipe Vivas, que coordena a investigação, o laudo aponta que o menino foi morto por asfixia mecânica. 
Tamires dos Santos Ferreira, 31 anos, e Giuliano do Santos Fonseca, de 46 anos, foram detidos por meio de um mandado de prisão temporária. Eles negam o crime. O delegado aguarda ainda o resultado de outros laudos como o de tecido sob as unhas da criança. A hipótese de estupro foi descartada.
O corpo de Luiz Gustavo dos Santos Morais foi encontrado no banheiro da residência em que morava com a família no dia 16 de outubro. O padrasto e a mãe chegaram a levar a criança, mesmo sem vida, para uma unidade de pronto atendimento. No mesmo dia, os dois foram encaminhados à delegacia para prestar esclarecimentos.
O delegado informou, ainda, que o crime aconteceu no bairro Gilson Carone. “A criança morava com o padrasto, a mãe e a irmã de 1 ano. Na ocasião, o menino foi socorrido e levado até uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). O casal alegou que ele teria tentado se suicidar no banheiro do apartamento, após ser repreendido por fazer bagunça. De acordo com os pais, o menino teria se enforcado com um cinto. Apesar de terem tentado o reanimar, Luiz Gustavo já chegou ao hospital morto”, explicou.
Felipe explicou que, no dia do crime, o casal chegou a ser levado para prestar esclarecimentos. “O depoimento deles tinha inúmeras incongruências. Tudo parecia muito ensaiado. No entanto, nós tínhamos de esperar o laudo cadavérico para decretar a prisão deles. Nós ouvimos outras testemunhas, que apresentaram versões que fortaleciam nossas suspeitas acerca das divergências no depoimento do casal. Por fim, o laudo cadavérico constatou que a causa da morte fora estrangulamento e não enforcamento. Mesmo depois de presos e com todas as provas, eles continuam a negar o crime”, detalhou Vivas.
 'FRIOS', DIZ DELEGADO
“A causa da morte é asfixia por constrição cervical provocado por estrangulamento, que é incompatível com enforcamento, que é o que desenharam para gente. Eles mantêm a versão deles, mas divergem em vários pontos dos interrogatórios, de como encontraram a criança, por exemplo. São totalmente frios. Parecem que não se abalam por nada. A mãe é mais fria ainda”, disse Vivas.
O laudo da perícia, ainda apresentava uma lesão na testa, que causou um edema cerebral, no supercílio, no lábio e também gengiva. O delegado revela que exames laboratoriais ainda são aguardados pela polícia, para saber se Luiz Gustavo foi abusado e se há vestígios de pele sob as unhas da criança, do padrasto e da mãe.
O casal, de acordo com Felipe Vivas, mudou de endereço por duas vezes após o crime. Eles foram encaminhados ao Centro de Detenção Provisória de Cachoeiro de Itapemirim. Uma filha do casal, ainda bebê, está sob a guarda dos familiares.
COMPORTAMENTO DA CRIANÇA
Durante a investigação o delegado apreendeu o celular do padrasto. Em uma conversa, por meio de redes sociais, a mãe relata à Giuliano que Luiz Gustavo reclamou com a avó que ele apertou o pescoço dele, por causa de uma maçã e deu R$ 50. A mãe ameaçou chamar o Conselho Tutelar, mas o padrasto negou a história do menino.
A avó materna do menino esteve na delegacia durante a tarde desta quarta-feira. Dalila Santos conta que o neto era alegre, bom aluno e que já presenciou o padrasto agressivo verbalmente com o menino e a filha. 15 dias antes de morrer, Luiz Gustavo teria pedido para voltar a morar com ela.
“Luiz Gustavo morou comigo até os 5 anos e depois, a mãe levou. Na última, me pediu para morar comigo, mas como moro sozinha e trabalho, não tive como ficar com ele. Ele não falava nada com a gente, não disse o por quê. Agora, esperamos justiça. Se devem, querem que eles pagem. Nunca imaginamos que isso pudesse acontecer”, disse a avó.
O pai de Luiz Gustavo também esteve no local, mas preferiu não falar com a imprensa. A tia do pai, Amparo Gomes disse que os dias até o desfecho foram angustiantes. “Não estamos aliviados. Estamos dilacerados. Queremos Justiça, que sejam condenados. Eles são uns monstros. Gustavo era um menino alegre, brincalhão e essa é a imagem que o pai quer levar dele”, revela a tia.
CARRO DA FAMÍLIA FOI INCENDIADO POR POPULARES
Carro foi incendiado por populares em Cachoeiro Crédito: Redes sociais
No dia seguinte à morte de Luiz Gustavo, o apartamento e o carro da família do menino foram depredados por populares.
 A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros foram acionados, mas ninguém foi detido.
O carro, que estava estacionado no condomínio onde a família mora foi incendiado.
O apartamento deles também foi invadido e objetos foram furtados. 

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