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Lama Cirúrgica

Lama Cirúrgica: mais um médico preso na operação deixa a cadeia

Rodrigo Souza Soares deixou o presídio após decisão da juíza Cristina Eller Pimenta Bernardo, que revogou sua prisão preventiva

Publicado em 03 de Outubro de 2019 às 18:51

Caique Verli

Publicado em 

03 out 2019 às 18:51
Único réu da Operação Lama Cirúrgica que ainda estava preso, o ortopedista Rodrigo Souza Soares foi solto após ter a sua prisão preventiva revogada pela Justiça. A decisão foi assinada pela juíza Cristina Eller Pimenta Bernardo, da 4ª Vara Criminal da Serra, em 27 de setembro, mesmo dia em que o médico deixou a prisão.
A operação tem como alvo um esquema de reúso de material cirúrgico. O Ministério Público apontou que pelo menos 52 cirurgias feitas pelos médicos envolvidos na Lama Cirúrgica tiveram a utilização de material reprocessado, como agulhas usadas para costurar cortes na pele. Nove pessoas, entre médicos e empresários, se tornaram réus.
Rodrigo Souza Soares, médico que estava preso Crédito: Arquivo pessoal
Na decisão, a magistrada justificou que Rodrigo não tem antecedentes criminais e possui residência física. A juíza ainda levou em conta que os outros oito réus já respondem ao processo em liberdade.
A Justiça determinou medidas cautelares contra o médico: ele está proibido de sair de casa durante a noite e aos finais de semana, não pode manter contato com os outros investigados e com testemunhas e está impedido de frequentar as empresas investigadas pela operação.
O médico, que estava preso desde fevereiro de 2018, assinou no ano passado um acordo de delação premiada com o Ministério Público e a Polícia Civil em 2018. O acordo foi homologado pela Justiça e prevê, após o final do processo, que ele fique preso dois anos em regime fechado, com a detração do tempo em que ele já ficou preso devido ao mandado de prisão preventiva. No acordo, ainda está previso que ele fique custodiado no Quartel da Polícia Militar.
A soltura dele, no entanto, não tem ligação com o acordo, segundo a juíza. 

DEFESA

Por nota, o advogado Ludgero Liberato, que faz a defesa do médico Rodrigo Souza Soares, afirmou que a decisão de soltura está em sintonia com os recentes entendimentos dos tribunais, de que não é possível o cumprimento de pena, mesmo pactuada em acordo de colaboração premiada, antes da existência de decisão de segunda instância. Ludgero ainda enfatizou que o médico continua colaborando com as investigações e cumprindo todos os deveres determinados no acordo, que é sigiloso.

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