Uma operação integrada realizada na noite de quarta-feira (8), desarticulou um grupo criminoso que planejava ataques contra policiais na região do Km 35, em Nova Aimorés, zona rural de São Mateus, no Norte do Espírito Santo. De acordo com a Polícia Civil, oito pessoas foram conduzidas à delegacia: cinco homens, de 19, 24, 25, 35 e 36 anos; uma mulher de 26 anos; e dois adolescentes de 16 anos.
A ação contou com agentes das polícias Civil, Militar e Penal. Segundo as investigações, o grupo tem ligação com o tráfico de drogas e vinha ameaçando agentes de segurança pública. Ainda conforme a polícia, os suspeitos planejavam ataques contra viaturas e policiais que atuam na região, como forma de vingança pela morte de um integrante do grupo em um confronto ocorrido no dia 1º de abril.
As apurações indicam também que os suspeitos utilizavam um drone para monitorar a movimentação policial e escondiam drogas em diferentes imóveis da região para dificultar flagrantes.
Como a operação desarticulou o grupo
Na região do Km 35, os policiais localizaram dois adolescentes de 16 anos e quatro homens, de 19, 24, 25 e 36 anos, já identificados pelos setores de inteligência. Durante a abordagem, nenhum material ilícito foi encontrado com eles. No entanto, com base em informações previamente levantadas, as equipes seguiram até um imóvel utilizado como residência e barbearia nas proximidades, acompanhadas pelo responsável legal.
Em um dos quartos, utilizado por um dos adolescentes, foi encontrada uma mochila com grande quantidade de drogas, incluindo comprimidos de ecstasy, pedras e porções de crack, buchas de maconha, além de pinos e papelotes de cocaína. Também foram apreendidas duas armas de fogo — uma pistola calibre .40 e um revólver calibre .38 —, munições de diversos calibres, aparelhos celulares, um coldre e dinheiro em espécie.
Durante a operação, os policiais identificaram ainda que um homem de 25 anos seria responsável por guardar drogas, dinheiro e o drone utilizado pelo grupo. No endereço dele, foram apreendidos um drone da marca DJI, R$ 2,5 mil em espécie, um punho de submetralhadora, um documento e duas porções de maconha.
Em outro imóvel relacionado à ocorrência, uma mulher de 26 anos apresentou resistência à ação policial, com desacato e desobediência. Segundo a polícia, ela tentou impedir a entrada dos agentes, chegando a usar uma criança de colo para dificultar a passagem, além de fazer ameaças e ofender os policiais. No local, foram apreendidos dois aparelhos celulares — um dela e outro de um dos suspeitos — e, na área externa, uma porção de maconha sobre uma mesa.
Na continuidade da operação, os policiais avistaram suspeitos fugindo, pulando muros e entrando no quintal de uma casa. Com autorização do morador, um homem de 35 anos, as equipes realizaram buscas no local. Dentro da residência, foi encontrada uma pistola calibre 9 mm sobre um sofá. O proprietário afirmou que a arma era dele, mas não possuía autorização legal para mantê-la.
Apreensão de armas, munições e drogas
Ao todo, foram apreendidos duas pistolas calibre 9 mm, um revólver calibre .38, 48 munições calibre 9 mm, 17 munições calibre .40, 11 munições calibre .38 e duas munições calibre .32. Também foram recolhidos 368 papelotes de cocaína, um pino da mesma substância, 79 buchas de maconha, 29 pedras de crack e 14 porções de crack, além de um drone da marca DJI, R$ 2.916 em espécie, três aparelhos celulares, um coldre de neoprene e um punho de submetralhadora.
A Polícia Civil informou que o homem de 35 anos foi autuado em flagrante por porte ilegal de arma de fogo e munições de uso restrito e encaminhado ao Centro de Detenção Provisória (CDP). Um dos adolescentes de 16 anos assinou Boletim de Ocorrência Circunstanciado (BOC) por ato infracional análogo aos crimes de tráfico de drogas e posse ilegal de arma de fogo e munições. Após compromisso firmado por responsável legal de comparecimento ao Ministério Público, ele foi reintegrado à família.
A mulher de 26 anos assinou Termo Circunstanciado (TC) por desacato à autoridade e foi liberada após assumir o compromisso de comparecer em juízo.
Os demais suspeitos — de 36, 25, 24 e 19 anos, além de outro adolescente de 16 anos — foram ouvidos e liberados. Segundo a polícia, não havia, naquele momento, provas suficientes para a prisão em flagrante.
As investigações continuam e incluem a análise dos celulares apreendidos e a realização de perícias nos materiais recolhidos. A corporação destacou que a liberação dos envolvidos não descarta a participação deles no caso, que segue sob apuração.