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Crime em Vitória

'Esse cheiro da morte deixa a gente nauseado', diz padre em Itararé

Padre celebrou uma missa no exato local onde corpo foi queimado nesta quarta-feira (3)

Publicado em 04 de Outubro de 2018 às 00:13

Redação de A Gazeta

Publicado em 

04 out 2018 às 00:13
Crédito: Fernando Madeira |GZ
Pároco na região de Itararé e Bairro da Penha, padre Kelder Brandão realizou uma missa no local onde um corpo foi encontrado carbonizado no início da manhã desta quarta-feira (3). O padre foi um dos que se assustaram com a cena. Ele seguia para Gurigica para encontrar um grupo de freiras e passou no local enquanto as chamas ainda queimavam o corpo do homem.
É uma cena horrível. Esse cheiro da morte deixa a gente nauseado. Triste ver a vida humana sendo tratada como lixo. Como um ser humano chega no estágio de fazer uma coisa dessas com um semelhante? É preciso parar e refletir sobre o mundo que estamos formando e o que vamos deixar de ensinamento para as gerações futuras
A celebração aconteceu por volta das 19h30, reuniu mais de 50 fiéis e durou cerca de 1h30. Durante a celebração, o padre questionou aos fiéis “qual a nossa responsabilidade diante da violência?”. Segundo o pároco, as pessoas não devem ver situações como essa sem se indignar com tamanha crueldade.
É uma cena impactante e que mostra o grau de desumanização que estávamos vivendo. Se pessoas são queimadas no início do dia, a nossa sociedade está falida. Não podemos justificar atrocidades como sendo naturais por se tratarem de moradores de rua, usuários de droga ou traficantes. Esse não é o papel do cristão
Uma das fiéis que estava no local, Luzia Coutinho, contou que atitudes como essas são importantes para sensibilizar as pessoas. “O objetivo é mobilizar mais pessoas porque o que vemos no nosso dia a dia é a ausência do amor. Tudo isso é triste demais”, disse.
Crédito: Fernando Madeira |GZ
MISSA EM SÃO PEDRO
No dia 13 de abril de 2014, o religioso também realizou uma missa onde o pedreiro Sérgio Rodrigues dos Santos foi morto a tiros na Rodovia Serafim Derenzi, em Vitória. O crime aconteceu a poucos metros onde acontecia uma procissão em comemoração ao Domingo de Ramos.
Os fiéis seguiam em procissão pela rodovia, quando se depararam com o corpo da vítima. Chocado, o padre resolveu então celebrar a missa de Ramos na cena do crime. Um altar improvisado foi montado em frente ao corpo do pedreiro, coberto por um lençol. Cerca de 70 pessoas, entre fiéis e curiosos, formaram um círculo em volta de Sérgio. Enquanto alguns tocavam violão, outros cantavam músicas de adoração.
O CASO DESTA QUARTA-FEIRA
Durante a madrugada, um vigilante de um almoxarifado do Governo do Estado, que fica bem ao lado da rua, relatou ter ouvido muitos tiros na região do Bairro da Penha por volta das 6 horas, mas que não ouviu gritos na avenida onde o corpo foi encontrado.
O vigilante viu muita fumaça e fogo perto do local onde trabalha e resolveu checar o que estava acontecendo, quando avistou o corpo em chamas pelo muro e chamou a polícia. No local onde a pessoa foi deixada pegando fogo há muitos entulhos e lixo acumulado.
MÃOS AMARRADAS
A perícia verificou que o corpo era de um homem. Antes de morrer, a pessoa teve as mãos amarradas e estava com um cobertor enrolado ao corpo, o que preservou parte do rosto.
A Polícia Civil acredita que o homem tenha sido morto ou ao menos espancado antes de ser carbonizado. Mais detalhes  — como a causa da morte — só serão desvendados por meio da perícia mais detalhada do Departamento Médico Legal (DML), para onde o corpo foi encaminhado.
Com informações de Daniela Carla e Mayra Bandeira
 

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