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Crime

Crime na Serra: delegado se equivocou ao dizer que três foram presos

O delegado Darcy Arruda, chefe da Polícia Civil, chegou a afirmar, durante o programa Bom Dia Espírito Santo, da TV Gazeta, que um terceiro suspeito do crime havia sido preso

Publicado em 30 de Janeiro de 2019 às 21:23

Jose Ricardo Medeiros

Publicado em 

30 jan 2019 às 21:23
Delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda Crédito: Ricardo Medeiros
A Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) informou, na noite desta quarta-feira (30), que não há um terceiro suspeito preso por envolvimento na morte de uma idosa em um ponto de ônibus, na Serra, na manhã do última segunda-feira (28). Outras três pessoas ficaram feridas. 
Segundo a polícia, o crime tem envolvimento com a guerra do tráfico, mas o alvo do disparo não era a mulher, e sim uma outra pessoa que está entre os feridos.
O delegado Darcy Arruda, chefe da Polícia Civil, chegou a afirmar, durante o programa Bom Dia Espírito Santo, da TV Gazeta, que um terceiro suspeito do crime havia sido preso. A informação foi corrigida: dois homens foram presos na noite de terça-feira (29). Uma coletiva de imprensa com mais detalhes sobre as investigações deverá ser realizada nesta quinta-feira (31).
O crime aconteceu quando as vítimas estavam embarcando e desembarcando na linha 829 do Sistema Transcol, que faz o trajeto de Planalto Serrano ao Terminal de Carapina. Testemunhas disseram que os criminosos chegaram em uma moto e pararam perto do ônibus. Um deles desceu do veículo e atirou. Um mesmo disparo atingiu quatro pessoas. 
Entre as testemunhas do crime e os sobreviventes, o relato é de que apenas um disparo foi ouvido. A informação, inclusive, foi confirmada pelo Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). De acordo com a polícia, a arma usada pelo atirador foi uma espécie de cartucheira. O calibre não foi revelado.
UMA BALA SÓ
O alvo dos criminosos seria um auxiliar de serviços gerais de 18 anos, que seguia para o trabalho. O jovem contou que chegava ao ponto de ônibus, quando viu o atirador descer da moto com a arma na mão. Ele correu e no meio da fuga, ouviu o tiro e sentiu que havia sido atingido. Depois, percebeu o sangue escorrer pela camisa. O rapaz foi ferido na cabeça.
Desesperado, saiu correndo entre os carros e pediu socorro a um taxista que passava pela rodovia, sem saber que outras três pessoas também tinham sido feridas. Entre elas, a aposentada Dalva, atingida na cabeça e na clavícula. Ela estava em pé, no ponto, quando o disparo foi feito.
Além dela, uma ajudante de cozinha, de 37 anos, foi ferida no braço, quando estava na escada do coletivo da linha 829, preparando-se para desembarcar. A outra vítima é um homem de 44 anos, atingido nas costas, quando tentava subir no mesmo ônibus.
Todos os feridos, informa a polícia, foram vítimas dos estilhaços da mesma bala. Um único cartucho contém diversas micro bolas de chumbo, que, disparadas, podem seguir em diferentes direções.
A motivação do crime ainda não foi esclarecida pela polícia.
O SOCORRO
Dalva não teve tempo de ser socorrida. Ela morreu ainda no local. Já o homem ferido e a ajudante de cozinha foram levados pelo motorista do ônibus para a Unidade de Pronto Atendimento de Carapina e depois transferidos para o Hospital Jayme dos Santos Neves, também na Serra.
Já o jovem de 18 anos, que seria o alvo dos atiradores, foi levado pelo taxista direto para o mesmo hospital onde estavam os outros feridos. Ele recebeu atendimento médico e foi liberado.
ENTREVISTA
Ainda meio atordoado do tiro que levou, o auxiliar de serviços gerais de 18 anos esteve no Departamento Médico Legal (DML) para passar por exames. Com a camisa suja de sangue e um curativo na cabeça, ele relatou o susto que passou e afirma que era o alvo dos criminosos.
Como foi atingido?
Eu estava caminhando em direção ao ponto de ônibus, quando os dois homens passaram por mim, de moto. Vi quando eles pararam e o carona já desceu com a arma na mão.
O que fez?
Comecei a correr. Só quis fugir. Enquanto estava correndo, ouvi o tiro e depois senti um choque na cabeça. Vi o sangue escorrendo na minha camisa. Fiquei desesperado, me enfiei nos meios do carros e pedi ajuda a um taxista que estava passando.
O que o motorista fez?
Ficou meio sem saber o que fazer. As pessoas disseram para ele não me socorrer. Mas, graças a Deus ele me socorreu.
Acredita que você era o alvo deles?
Era sim. Não foi um assalto. Eles pararam para me matar.
Imagina o motivo?
Não faço ideia. Não estava sendo ameaçado e não tenho problemas com ninguém. Não sei mesmo o porque disso.
Está com medo de voltarem?
Eu fico com receio sim. Não sei o que pode estar acontecendo.
Já foi baleado antes?
Já, no ano novo, virada de 2017/2018. Levei um tiro na mão, em um tiroteio no meu bairro. Estava no meio da rua, chegaram atirando e fui ferido.
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