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Mortes na BR 101

Transplante de fígado: paciente recebe órgão do menino Gabriel

Gabriel Martins Rodrigues, 11 anos, era o único sobrevivente de acidente na BR 101, na Serra. Pai, mãe e irmão morreram na hora. O menino chegou a ficar internado, mas teve morte cerebral

Publicado em 26 de Junho de 2019 às 19:09

Isabella Arruda

Publicado em 

26 jun 2019 às 19:09
Paciente recebe alta após transplante de fígado recebido do menino Gabriel Martins Rodrigues Crédito: Reprodução/Facebook
Um paciente obteve alta hospitalar nesta quarta-feira (26) após receber fígado do menino Gabriel Martins Rodrigues, vítima de acidente fatal na BR 101, na Serra. O procedimento foi realizado pelo cirurgião do aparelho digestivo e especialista em transplante de fígado, Alberto Stein, em um hospital de Cariacica
De acordo com o médico, o transplante seguiu curso tranquilo e foi concretizado na última quarta-feira (19). "Em virtude de o órgão transplantado ter procedência de doador muito jovem, o fígado estava em muito boas condições, o que facilitou o nosso trabalho e a consequente recuperação do paciente, que se deu de forma rápida. Ele se recuperou muito bem e teve alta com apenas sete dias da cirurgia. Em média, em relação a órgãos de doadores mais velhos, a recuperação costuma se dar em 10 a 14 dias, um tempo razoável", descreveu.
Dando sequência ao procedimento, o paciente volta à rotina normal em aproximadamente dois ou três meses. De acordo com o especialista, em um mês já é possível retornar à prática de atividades físicas. "Nos primeiros três meses os cuidados são um pouco mais delicados devido à imunossupressão, ou redução da eficiência imunológica, provocada pelos medicamentos. Mas passado esse período, a vida segue sem limitação, só não são recomendadas atividades mais perigosas e com alto risco de contaminação", explicou.
FILAS DE ESPERA
De acordo com informações da Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo (SESA), até esta quarta-feira (26), a Central Estadual de Transplantes registrou 1.165 pessoas aguardando por um transplante no estado, sendo quatro pessoas à espera de um coração, 180 pessoas aguardando por um transplante de córneas, 31 precisando de doação de fígado e 950 pessoas esperando um rim. De janeiro a maio deste ano foram realizados 168 transplantes no Estado.
Segundo Alberto Stein, o número de pessoas na fila, à espera de doação de órgão, reflete a necessidade de reforçar a importância do ato. "O transplante realmente dá certo, sendo que a taxa de sucesso beira os 80%. Nesse sentido, pode-se dizer que é uma atividade que retorna o indivíduo à sociedade e que precisa ser estimulada", contou.
Apesar da demanda, a recusa familiar, de acordo com o médico, está em torno de 50%, um percentual muito elevado. "Poderíamos acabar com a fila para transplante de fígado, assim como já aconteceu com a de córnea uns anos atrás no Espírito Santo. Foi possível zerar a espera. Mas temos carência de doadores, infelizmente", finalizou.
 
 

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