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Capixabas Têm o que Contar

O 'causo' do pescador da ilha que virou dono de restaurante

Conheça a história (real) de Rogério Leonel da Silva, o Pirão, que matava a fome da infância com o alimento que lhe rendeu o apelido #somoscapixabas
Redação de A Gazeta

Publicado em 

11 ago 2018 às 17:18

Publicado em 11 de Agosto de 2018 às 17:18

Uma boa moqueca capixaba costuma vir acompanhada de pirão. Ou do Pirão, apelido de Rogério Leonel da Silva, 65 anos, pescador da Ilha das Caieiras, em Vitória, que hoje tem um restaurante na região e faz enorme sucesso com o famoso prato típico do Estado. Como um bom contador de “causos”, o segredo ele até revela, mas a mão boa para o tempero não é tão fácil de se aprender.
De família simples com 21 irmãos, Rogério se tornou Pirão ainda na infância. Com poucos recursos, nem sempre havia leite para o pequeno beber. A mãe, para não deixar o filho com fome, fazia escaldado de peixe e misturava com farinha. Logo, o menino começou a ser chamado pelo apelido que, inclusive, também dá nome ao restaurante às margens da baía: Pirão da Ilha.
Rogério Leonel da Silva, o Pirão, mostra uma moqueca preparada no seu restaurante na Ilha das Caieiras Crédito: Bernardo Coutinho
O estabelecimento começou a funcionar há cerca de 18 anos, na área da pequena casa do pescador. “Eu conhecia muitas pessoas de fora e, quando pegava uns peixes bonitos, esses caras lá da Praia do Canto falavam: ‘Ô, Pirão, faz uma moqueca para mim!’. Eu morava em um barraquinho de madeira e ficava cheio de vergonha porque não tinha nem lugar para as pessoas sentarem. Mas fui fazendo as moquecas, vinha um, vinha outro, e aí disseram para eu botar um negócio. Bati uma laje, fui devagarinho, e hoje é isso aí que você está vendo”, conta, orgulhoso, apontando para uma construção de alvenaria de dois pavimentos.
Pirão com a neta Rihanna, de 8 anos: paixão pela pesca atravessa gerações Crédito: Bernardo Coutinho
Mesmo tendo alcançado novos horizontes em sua vida, Pirão não perde a essência de pescador. Ele senta no deque perto de seu restaurante e lança a isca, porém hoje faz da pescaria mais hobby do que trabalho. Os filhos também dividem com ele o amor pela pesca, assim como a neta Rihanna, de apenas 8 anos, que já comemora os primeiros pescados.
Foi também nessa idade que Pirão começou a seguir os passos do pai pescador. Daquela época, ele sente falta da fartura das pescarias. “Muito peixe que antes tinha por aqui hoje não existe mais. Em São Pedro I existia um manguezal onde a gente largava a rede de noite e, na manhã seguinte, estava branquinha de pescadinha. Eram 200, 300 quilos. E só peixe grande”, recorda-se.
 “Mas a invasão, o desmatamento do manguezal, acabou com muita espécie. Mataram aquele mangue, e o peixe foi sumindo daqui. A dragagem que fazem em Vitória também mata muito peixe. Eu me sinto mal com tudo isso. Quase todas as famílias da Ilha dependem da pesca, e hoje não é mais como antigamente.”
As boas lembranças do período de infância e juventude no mar fazem com que Pirão tenha como sonho justamente recuperar o manguezal. “Pelo menos metade do que era”, estima.
Como não poderia deixar de ser, outro pescador é o capixaba que, para Pirão, merece destaque. Gabriel Muniz Vieira também tem “causos” para contar.
QUEM É GABRIEL MUNIZ VIEIRA
Gabriel Muniz Vieira, pescador Crédito: Acervo pessoal
 Pescador, 55 anos, nascido e criado na Ilha das Caieiras, fica no mar dia e noite. A pescaria é o que garante o sustento da família, mas também é o seu momento de relaxamento. Ele diz que não consegue ficar parado; gosta do balanço do mar.
Quer ver algum capixaba contar sua história neste espaço? Escreva para [email protected].
 
 
 

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