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Drogas

'Muros e grades não impedem consumo de crack', dizem especialistas

Especialistas dizem que problema demanda ações do poder público e da sociedade

Publicado em 18 de Dezembro de 2018 às 01:56

Redação de A Gazeta

Publicado em 

18 dez 2018 às 01:56
Cachimbo de crack: especialistas dizem que é preciso conhecer perfil de usuário Crédito: edson chagas
Especialistas concordam que não há uma solução rápida e simples para os dependentes químicos, mas sim uma série de ações que precisam ser desenvolvidas tanto pelo poder público quanto pela sociedade. E apontam: muros e grade não impedirão o usuário de consumir as drogas. Eles vão sempre migrar.
Para o antropólogo Pablo Ornelas Rosa, dificultar a entrada de usuários de crack em alguns pontos da Grande Vitória não é solução para sanar o consumo das drogas na região. Isso causa apenas uma migração para outro ponto. “O usuário de crack não irá deixar de consumir a droga porque está tendo dificuldade de chegar ao local de costume devido aos muros altos e grades. Eles irá se apropriar de novos espaços”, aponta.
PERFIL
O sociólogo Rafael Rezende concorda. Ele acrescenta que o primeiro passo para tentar solucionar o problema é conhecer o perfil desse usuário e saber o que levou ele a se tornar um dependente químico. Ele ressalta que, em grande parte dos casos, a droga se torna uma válvula de escape para sanar outros problemas.
Ele destaca que a ajuda deve vir tanto da sociedade quanto do poder público. “Para o primeiro, no sentido de enxergar esse ser humano como qualquer outro, mas que está numa situação vulnerável e precisa de ajuda. Já o segundo deve garantir políticas públicas eficazes para que ele consiga ter uma vida autônoma”, pondera.
PACIENTE
O médico João Chequer, PhD em dependência química, afirma que é preciso encarar o problema em várias frentes simultaneamente. “O indivíduo não pode ser visto como ‘drogado’. Ele é um enfermo, um paciente que tem necessidades médicas psiquiátricas, jurídicas e sociais”, explica.
O especialista lembra que o problema do vício em drogas na população de rua tem “um milhão de razões”. “A pessoa vai parar na rua por desemprego, falta de planejamento familiar, de acesso à educação e a condições de vida dignas. Nas ruas, eles são vítimas das drogas, principalmente álcool e o crack”, diz.
Chequer avalia que, mesmo quando a pessoa é internada e se livra do vício, é difícil mantê-la longe da droga. “Se ela volta para casa e encontra um ambiente familiar corroído, retorna para a rua”, diz.
PREFEITURA DE VITÓRIA MONITORA ÁREAS CRÍTICAS E FAZ ABORDAGENS 
A Prefeitura de Vitória afirma que há um mapeamento dos locais que são pontos de uso de drogas e que esses endereços são monitorados em toda a cidade.
“Nesses pontos são feitas abordagens frequentes. Se a pessoa não aceita ajuda a gente volta, insiste, até que seja criado um vínculo e ela aceite um encaminhamento, seja para sua cidade de origem, seja para se reinserir na família ou até para internação”, explica a secretária municipal de Assistência Social, Iohana Kroehling.
Ela afirma que oito equipes trabalham em três turnos oferecendo os serviços da prefeitura e que mais de 200 são atualmente atendidas. A prefeitura conta ainda a Escola da Vida, que oferece cursos de capacitação para a população em situação de rua que quer se reinserir no mercado de trabalho.
A secretária destaca que o uso de drogas é um problema crônico e mundial, principalmente nas grandes cidades. “Cada vez mais temos que criar estratégias, não desanimar de oferecer tratamento e condições para que os usuários de drogas sejam reinseridos na sociedade”, diz ela. É importante lembrar que, para ser internado, o usuário deve estar de acordo.
A secretária enfatiza que dar dinheiro ou comida para os usuários de droga não é uma boa solução. “Quanto mais a população der dinheiro, comida e utilidades domésticas, mais ela contribui para a permanência dessas pessoas nas ruas.”

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