Não era "galinha gorda", mas avicultores de Santa Maria de Jetibá decidiram doar galinhas na Capital. O motivo? A falta de ração para alimentar os animais devido a greve dos caminhoneiros que chega ao sexto dia, neste sábado (26).
Segundo os produtores, foram doadas aproximadamente 10 mil galinhas e mil ovos. Quatro caminhões e uma caminhonete com os animais chegaram por volta das 15h40, em frente a Assembleia Legislativa, na Enseada do Suá, em Vitória.
Uma fila de pessoas já aguardava a chegada dos avicultores, na calçada da casa de leis. Muitos chegaram com caixas para acomodar os produtos.
A distribuição foi bem rápida. Em aproximadamente uma hora, todo o estoque dos caminhões foram esgotados sem confusões. Muitas pessoas chegaram a sair com caixas cheias de ovos e começaram a vendê-los do outro lado da rua, em frente ao shopping, pelo valor de R$ 10 o pente de ovos (com 30 unidades).
BATE BOCA
A Polícia Militar acompanhava toda a distribuição, desde a chegada dos avicultores com as galinhas. Porém, próximo do fim do "evento", por volta das 16h10, policiais abordaram os produtores pedindo sua retirada do local, ameaçando multá-los por estarem em cima da calçada da Assembleia.
Houve um pequeno bate boca entre os militares e os avicultores, mas pouco depois a distribuição foi terminada.
Por nota, a Polícia Militar confirmou que acompanhou a distribuição de aves e ovos, na região da Enseada do Suá, e disse que a ação foi para evitar acidentes. "Durante a ação, foi observado um grande número de pessoas que se aglomeraram no local podendo inclusive causar um acidente, além dos caminhões que estacionaram na calçada. Os policiais conversaram com os avicultores no intuito de zelar pela segurança de todos que estavam no local. A distribuição foi encerrada sem nenhum tipo de tumulto", diz a nota.
SACRIFÍCIO DE PINTINHOS
Na tarde desta sexta-feira (25), o diretor executivo das Associações dos Avicultores e Suinocultores do Espírito Santo (Aves), Nélio Hand, disse ao Gazeta Online que cerca de um milhão de pintinhos terão de ser sacrificados no Espírito Santo por não ter comida suficiente para alimentá-los, devido à greve dos caminhoneiros.
Com as pistas bloqueadas para a movimentação de cargas em vários trechos de rodovias, os empresários ficaram sem receber a ração dos animais. A paralisação também não permite que as aves abatidas sejam levadas até os consumidores, e como elas não podem ser congeladas, mas apenas resfriadas, há risco de perdas de produtos.
* Com informações de Luisa Torre