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TRÊS VÍTIMAS POR DIA

Grande Vitória registra mais de 280 mulheres agredidas em três meses

Cariacica é a cidade que mais registrou agressões à mulheres no período. Cláudia Dematté explica que violência não é somente física e orienta que mulheres façam a denúncia na primeira agressão

Publicado em 21 de Maio de 2019 às 22:39

José Carlos Schaeffer

Publicado em 

21 mai 2019 às 22:39
Violência contra mulher Crédito: Marcos Santos/USP
Três mulheres foram agredidas por dia na Grande Vitória nos primeiros três meses de 2019. Os números são da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) que divulgou os casos de agressão registrados em Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam). De janeiro a março, no total, foram 282 queixas por crimes de lesão corporal nos cinco municípios: Vitória, Vila Velha, Cariacica, Serra e Viana.
Cariacica é a cidade que mais registrou agressões à mulheres no período, com 78 queixas. Logo em seguida aparece a Serra com 77 casos, Vila Velha com 74, Vitória com 49 e Viana, com cinco ocorrências.
Grande Vitória registra mais de 280 mulheres agredidas em três meses
Segundo a chefe da Divisão Especializada de Atendimento à Mulher, delegada Cláudia Dematté, o número de ocorrências é alto porque cada vez mais mulheres estão buscando pelos seus direitos. Ela explica que a Lei Maria da Penha, sancionada em 2006, foi fundamental para que as vítimas tivessem amparo para realizarem as denúncias.
“O que nós percebemos é que desde a criação da Lei Maria da Penha essa violência está cada vez mais deixando de ser silenciosa. As mulheres cada dia mais estão tendo consciência dos seus direitos, que devem denunciar seus agressores, e isso tem feito que o numero de denúncias aumente nas delegacias”, disse.
chefe da Divisão Especializada de Atendimento à Mulher, delegada Claudia Dematté Crédito: Patrícia Scalzer
A delegada também citou a resistência da sociedade ao empoderamento das mulheres como fator para a violência doméstica e familiar. Como exemplo, ela cita um caso atendido em uma das delegacias em que uma mulher foi agredida pelo marido apenas por querer estudar.
“Uma das nossas delegadas recebeu no plantão o caso de um homem que agrediu a esposa exatamente pelo fato dela querer estudar, de querer cursar uma faculdade. E absurdamente ele falou para ela que 'casou com uma mulher burra, que se quisesse uma mulher inteligente ele buscava no banco da faculdade'. Isso é uma nítida demonstração do machismo, de homens que não estão prontos para lidar com o empoderamento da mulher”, contou.
Cláudia Dematté explica que violência não é somente física e orienta que mulheres façam a denúncia na primeira agressão.
“A violência pode ser moral, por meio de xingamentos, humilhações, julgamentos. Ela pode ser psicológica, por meio do crime de ameaças. Pode ser sexual, um marido que obriga a mulher mediante violência ou ameaça a manter conjunção carnal pratica um crime de estupro. Nós orientamos que a mulher denuncie desde a primeira violência sofrida. Dessa forma, a Polícia Civil, o Ministério Público e o Judiciário, por meio da aplicação da Lei Maria da Penha, vão poder agir e evitar que crimes mais graves ocorram”, finalizou.
As denúncias podem ser feitas em qualquer delegacia e também no disque-denúncia 181.

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