Após o rompimento de barragens da Vale em Brumadinho, em Minas Gerais, o Governo do Estado afirmou que vai reforçar a fiscalização das barragens de água no Estado. Um relatório da Agência Nacional de Água (ANA) de 2017, divulgado no ano passado, mostrou que três barragens correm risco de rompimento no Estado.
Em todo o Espírito Santo são 104 barragens, sendo seis públicas e 98 privadas. Outras nove serão construídas pelo governo. As três barragens que apresentam risco são públicas: duas em São Roque do Canaã - em Santa Júlia e Alto Santa Júlia - e em Duas Bocas, em Cariacica. As duas primeiras são de responsabilidade da prefeitura. Já a de Cariacica está sob responsabilidade do Governo do Estado e utilizada para captação de água.
“Não há um grau de risco alto nas 98 barragens particulares que estão cadastradas. Nossa equipe está sendo acionada para fazer uma avaliação mais precisa em São Roque do Canaã e Cariacica. Montamos uma força-tarefa e vamos visitar amanhã (terça-feira) a barragem de Duas Bocas para fazer um controle de nível. Caso exista um risco mais elevado, diminuímos o nível e a pressão da água, diminuindo também o risco (de rompimento)”, declarou o presidente da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh), Fábio Ahnert.
Governo vai reforçar fiscalização de três barragens em risco no ES
De acordo com Ahnert, hoje a fiscalização de barragens do Estado é feita por apenas três engenheiros e o quantitativo precisa aumentar. Ele ponderou que técnicos serão remanejados de outros órgãos, como o Instituto Estadual do Meio Ambiente (Iema).
“Não é adequado. O governador já nos pediu para dimensionar as equipes de forma adequada, colocando prioridade no que diz respeito às ações de fiscalização, às ações de monitoramento e acompanhamento das barragens que oferecem maior potencial de risco para o Espírito Santo”, afirmou.
Outra preocupação é com as chuvas, que podem aumentar o nível de água e também o risco de barragens se romperem. “Nós queremos um controle operativo de nível. Dependendo do regime de chuvas que tiver, tem que ter um controle do nível, para diminuir a pressão e o risco das barragens”, afirmou.
NÚMERO DE BARRAGENS MAIOR
Ahnert também explicou que o número de barragens particulares no Espírito Santo deve ser maior que o atual. Isso porque muitas barragens não estão cadastradas e, por isso, não entrou no relatório que apontou riscos de rompimento. A Agerh não tem conhecimento se essas barragens correm algum tipo de risco. “Já existem barreiras cadastradas, mas fisicamente esse número deve ser bem maior”, completou.
O governo também pretende fazer um acompanhamento em tempo real das barragens, por meio de tecnologias que serão estudadas. “Vamos fazer um diagnóstico claro, além de um dimensionamento de equipe e utilizar as tecnologias no monitoramento mais dinâmico das situações de risco”, completou.